Por que o medo de falar na superação do capitalismo?

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Essa é a pergunta inicial do livro A que custo? O capitalismo (moderno) e o futuro da saúde, de Nicholas Freudenberg, que a Editora Elefante lançou recentemente, numa nova parceria com a ACT Promoção da Saúde.

Professor da City University de Nova York e há quatro décadas trabalhando com formulação de políticas públicas de saúde, Freudenberg analisa o poder acumulado pelas corporações e se propõe a investigar as mais diferentes áreas para apontar como essas grandes empresas se tornaram o maior problema de saúde pública da atualidade.

O autor deixa evidente que é preciso superar o sistema capitalista, que tem representado uma ameaça à nossa própria existência e ao planeta. “Para aqueles que procuram melhorias na saúde global e individual, evitar a palavra e a ideia do capitalismo seria o equivalente a médicos evitarem falar sobre corpos por medo de constranger as pessoas”, escreve. 

Partindo deste ponto de vista, Freudenberg decidiu colocar o foco do livro nas corporações porque elas estão no centro de nossas vidas e representam 157 das 200 maiores fortunas do mundo. As empresas surgidas e que cresceram nas últimas décadas, segundo sua análise, são responsáveis por uma série de problemas cotidianos que afetam nossa saúde e nosso bem-estar. A introdução do livro está disponível para leitura no portal de O Joio e O Trigo.

Paula Johns, diretora geral da ACT e autora da apresentação, faz um diagnóstico da situação atual e conclui que a sociedade capitalista contemporânea está adoecida. Os exemplos são vários: crise climática, colapso da biodiversidade, aumento das doenças crônicas não transmissíveis, problemas de saúde mental, surgimento de pandemias, recrudescimento de racismos, violência e guerras. Segundo Paula, a ação humana vem destruindo seu próprio habitat, nos tornamos células cancerígenas que consomem o único planeta que temos e que nos sustenta. E faz o alerta: não há planeta B.  

Já o prefácio é do economista Ladislau Dowbor, professor da pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e consultor de várias agências das Nações Unidas. Para ele, um estudioso do capitalismo, A que custo? é um dos livros mais lúcidos sobre os desafios e caminhos que temos diante de nós e foi escrito de forma a fugir das simplificações ideológicas.

Logo na abertura, Dowbor explica que “o capitalismo se tornou em grande parte disfuncional. Está com o crescimento estagnado, centrado mais nas movimentações financeiras do que na produção, gerando uma desigualdade explosiva, drenando os recursos naturais de maneira destrutiva, impotente em se reorganizar frente ao aquecimento global, incapaz até hoje de se reinventar, preso na lógica da maximização de lucros corporativos a qualquer custo”.  

O lançamento do livro foi virtual, contou com a presença do autor e pode ser assistido aqui.

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