O marketing e a dependência de produtos que são fatores de risco para o câncer que matou Van Halen

guitarrista eddie van halen

Nesta semana, a notícia do falecimento do guitarrista Eddie Van Halen, considerado um dos melhores do mundo, pegou muita gente de surpresa – especialmente por ter ocorrido de forma precoce, já que ele tinha apenas 65 anos.

A doença que o levou foi o câncer de garganta, que é mais comum em homens e tem como principais fatores de risco o uso de álcool e cigarros. Mencionar isso, no entanto, não significa de jeito nenhum que Van Halen ou qualquer outra pessoa que acabe sofrendo com uma doença como essa seja culpado por isso, já que tanto o fumo quanto o consumo excessivo de álcool causam uma dependência química que dificulta, e muito, que as pessoas diminuam ou evitem o uso desses produtos, uma vez que ele esteja estabelecido.

Nesse contexto, é claro que o tratamento individual dessa dependência é muito importante e precisaria estar disponível de forma universal para todas as pessoas, em todos os países. Aqui, no entanto, vamos focar em outro aspecto: como as próprias empresas que fabricam esses produtos nocivos tentam estimular o seu consumo, mesmo com todos os malefícios para a saúde que podem acompanhá-lo.

Em nossas mídias sociais, já recebemos mais de uma vez comentários que falavam que algumas medidas para controlar o consumo de produtos nocivos, como aumentar impostos sobre eles, não deveriam ser tomadas, porque “ninguém é obrigado a comprar”. Diretamente, talvez não. Mas a verdade é que as estratégias de marketing dessas indústrias fazem de tudo para criar a falsa ideia de que eles seriam associados a estilos de vida “descolados” e “livres” e se afastar das inúmeras evidências que mostram justamente o contrário: um consumo excessivo trará dependência e problemas graves. Não há liberdade nenhuma nisso.

Na penúltima edição do Boletim da ACT, Clarice Madruga, da Unifesp, falou um pouco sobre as lives patrocinadas por marcas de cerveja, verdadeiro fenômeno do período de quarentena: “É perverso, pois se utilizam da vulnerabilidade que esse contexto traz para a população e juntam isso com uma estratégia muito efetiva, que mostra o seu cantor preferido com garrafas e mais garrafas de destilados em casa e vende a ideia de que beber sozinho em casa é um jeito de lidar com a pandemia e com o estresse e de se divertir, já que não temos a possibilidade de interação social na rua.

A Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, tratado internacional da OMS, já deixou claro que há um conflito irreconciliável entre os interesses da indústria do tabaco e os da saúde pública, e o mesmo pode ser dito da indústria do álcool e de outros produtos que fazem mal para a saúde, como os refrigerantes. Regulamentações efetivas, incluindo a restrição ou proibição da propaganda, são a única forma de assegurar que os interesses que prevaleçam sejam os da saúde pública.

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