Nova York e Califórnia processam a Juul, fabricante de cigarros eletrônicos

Juul

Nesta semana, Nova York e Califórnia abriram processos contra a Juul, marca líder de venda de cigarros eletrônicos nos Estados Unidos. Ambas argumentam que a empresa está usando estratégias enganosas de publicidade para vender seus produtos a jovens, incluindo menores de idade, para quem a comercialização é proibida.

A indústria do tabaco já tem um histórico de fazer propagandas direcionadas a adolescentes e crianças, com o uso de sabores, embalagens coloridas e marketing ilegal em parceria com influenciadores digitais, por exemplo. Quando os cigarros eletrônicos e outros novos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) foram lançados, as empresas argumentaram que eles seriam uma alternativa menos nociva para fumantes que não conseguem ou não querem largar o cigarro. Nenhum estudo independente, no entanto, confirmou essa suposta redução de danos. Pior ainda, casos de doenças e mortes relacionados com os DEFs vêm aumentando diariamente. Um adolescente de apenas 17 anos foi uma das vítimas.

Diversas autoridades e organizações dos EUA, como o Surgeon General, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças e a FDA emitiram posicionamentos afirmando que o consumo de DEFs por jovens já é uma epidemia no país. É fato que o advento desses produtos está causando grandes retrocessos nas políticas de controle do tabaco onde a comercialização foi liberada. Por isso, iniciativas como as de Nova York e da Califórnia são muito importantes para garantir que as empresas que vendem os DEFs sejam responsabilizadas e parem de fazer marketing para jovens.

Aqui no Brasil, a venda de DEFs é proibida pela Anvisa, mas o ônus do tabaco ainda se faz presente. Por ano, o país gasta cerca de R$ 57 bilhões com despesas médicas e de produtividade relacionadas ao cigarro. A indústria do tabaco, entretanto, só paga R$ 13 bilhões em tributos. A conta não fecha, e corremos o risco de termos um saldo ainda mais negativo caso os cigarros eletrônicos sejam liberados.

 

Quer saber mais sobre DEFs?

No site da ACT, lançamos uma área específica com as principais informações e materiais complementares livres de conflitos de interesse, incluindo fact sheets, artigos e podcasts, entre outros, que pode ser acessada aqui.

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