Covid-19: por que cigarros eletrônicos e tradicionais podem causar complicações

pessoa de máscara olha para baixo

Desde o começo da pandemia da Covid-19, médicos e especialistas da área da saúde vêm alertando para o fato de que pessoas que fumam – tanto cigarros convencionais quanto eletrônicos – provavelmente estariam mais suscetíveis a complicações da doença. Na medida em que o novo coronavírus foi avançando e mais estudos foram realizados, a associação entre o tabagismo e as formas mais graves da Covid-19 se tornou cada vez mais clara.

Mais recentemente, uma matéria do NY Times traduzida e publicada em português pelo Estadão avaliou com mais detalhes as causas e os resultados dessa associação. Segundo a reportagem, estudos mostraram que o tabagismo pode mais do que dobrar a chance de uma pessoa contaminada pelo novo coronavírus desenvolver sintomas graves. Uma outra pesquisa específica sobre cigarros eletrônicos descobriu que jovens adultos que utilizam esses dispositivos têm cinco vezes mais chances de serem diagnosticados com a Covid-19.

Um dos médicos entrevistados pelo NY Times afirmou que “os pulmões não são feitos para respirar fumaça de cigarros tradicionais ou eletrônicos”. Estudos que mostram o efeito do tabagismo no sistema imunológico existem há anos, e acredita-se que esse efeito ocorra porque as substâncias químicas do cigarro impedem o direcionamento correto das células que combatem doenças e invasores como germes. Além disso, os malefícios aos pulmões podem deixá-lo inflamado e cheio de muco, o que prejudica ainda mais a respiração e a saúde como um todo, e afetar estruturas que ajudam a expulsar toxinas e micróbios. Quando há a presença de um agente como o novo coronavírus, todos esses fatores se combinam e podem potencializar o surgimento de sintomas graves.

Apesar dos cigarros eletrônicos e outros dispositivos para fumar serem produtos relativamente novos, efeitos semelhantes já foram observados por pesquisadores. “Vapes”, como os cigarros eletrônicos são muitas vezes chamados, deixaram camundongos mais vulneráveis a vírus e bactérias e causaram inflamações.

Outro efeito do tabagismo parece ser uma alteração na superfície celular que resulta em maior revestimento por ACE-2, que é justamente a proteína usada pelo coronavírus para invadir as células. Segundo a matéria, isso pode ser uma explicação para o motivo de jovens fumantes de cigarros eletrônicos terem sido mais diagnosticados com a Covid-19, junto com o fato de muitos deles compartilharem equipamentos e, obviamente, não usarem máscaras enquanto fumam.

A indústria do tabaco vem buscando a liberação dos cigarros eletrônicos no Brasil com o argumento de que eles seriam menos prejudiciais à saúde, mas, como vimos, evidências crescentes nos mostram que eles são, sim, extremamente perigosos. O que realmente precisamos é de políticas eficazes de controle do tabaco, como a efetivação da proibição dos aditivos, o fim da exibição em pontos de venda e a implementação de embalagens padronizadas.

 

Deixe uma resposta