Uma estranha liberdade

Há algum tempo vi em outro blog (Café sem Fumaça) esta frase:”Um ex-fumante escapa da prisão e continua pensando como prisioneiro. Depois que o corpo escapa, a mente continua presa, olhando para trás, para a cela que o manteve encarcerado por tanto tempo. O não fumante livra-se e liberta-se fisica e mentalmente no momento em que para de fumar. Mesmo que o corpo ainda sofra um pouco por alguns dias, a mente já esta completamente livre”

A 2a parte da frase é meio confusa, pois não-fumante não fuma (ou será que não entendi?), mas a 1a parte é bem interessante pois muitas vezes observei que uma das coisas mais valorizadas quando se para de fumar é a liberdade de não precisar fumar a cada X de tempo, não precisar sair p/ comprar cigarro, ou seja, a superação da dependência. Mas esta deixa suas marcas e é comum o medo de passar a ser dependente de outra coisa, como do remédio que se está usando para ajudar na parada. Por isso é importante esta reflexão: se quero parar de fumar, quero me libertar também deste tipo de pensamento, PRECISO COMEÇAR A ME VER CAPAZ DE NÃO SER NOVAMENTE UM DEPENDENTE DAQUI POR DIANTE, para não perpetuar a dependência atual por medo da que pode substituí-la.

O próprio histórico de vida mostra ao ex-fumante que do tabaco é preciso ter distância, a dependência existiu e pode voltar a existir, mas minhas escolhas têm papel fundamental nisto. A resignação diante da dependência só a fortalece. Pensar sobre isto pode auxiliar na mudança interna que acompanha o processo de abandono definitivo do cigarro. Até a próxima!

9 comentários em “Uma estranha liberdade

  1. Monica,

    Acredito que o autor desta frase tenha a intenção de passar o seguinte:

    Ex-Fumante, apenas é uma pessoa que deixou de fumar e talvez tenha a vontade de voltar ou até mesmo a intenção.

    Não Fumante: A pessoa que deixa de fumar e toma conciêcia que é um descisão sem volta.

    Eu mesmo já tentei varias vezes deixar de fumar, porém sempre sentia que poderia voltar a fumar me tornando uma especie de fumante social, situação que hoje sei perfeitamente não ser possível, em pelo menos para minha pessoa, pois não posso com a primeira tragada, assim como um alcolico anonimo.

    Abraços.

  2. Oi, Vinho, concordo com você sobre a impossibilidade de ser um fumante social após já ter sido dependente do cigarro. Todas as vezes em que vi esta tentativa acontecer, não funcionou.
    Acho que é mais ou menos isto: o fumante que larga o cigarro tem que saber que terá que ficar longe da droga pois tem enorme risco de voltar a depender dela se fumar, mas pode superar sua dependência sem fumar e sem necessariamente passar a depender de outra coisa. Se ocorrer de passar a se sentir dependente de outra substância/alimento/pessoa/sei lá o quê, aí sem dúvida vale uma terapia! abs Mônica

  3. Olá. Achei a frase interessante como estímulo porém um pouco idealista demais e nesse sentido talvez até mesmo perigosa.
    Porque o mesmo desejo de se ver “mentalmente” livre do cigarro é aquele que nos joga diretamente no perigo do vício. Uma meta grande demais pode acabar com a gente sem dó neste caso de vícios químicos e mentais, é o que quero dizer.
    Não se pode vacilar achando que estamos imunes e “mentalmente livres” às ilusões que brotam dos desejos. Na minha experiencia acho que é uma visão perigosa pois sempre estamos sujeitos às recaídas ao cigarro e é preciso estar sempre atento.
    Quando aos substitutivos para o vício do cigarro acho que eles sempre estarão em nossas vidas com terapia ou sem. Podem ser substitutivos mais ou menos sérios ou evidentes, de querer comer demais, ou em busca de sexo, pornografia, seja o que for, ou outros mais sutis, como por exemplo, precisar estar sempre ligado em blogs para se lembrar de sua decisão de não mais fumar, precisar correr, fazer esportes, etc. São coisas sem duvida mais saudaveis para o corpo mas que constituem impulsos que foram encaminhados em outra direção e atualmente são mais socialmente aceitos.
    Agora a liberdade mental…isso pra mim é uma incógnita.
    A….desculpe, devo só estar irritado pois estou tentando parar de fumar, já pela quarta vez e isso é meio cansativo…

  4. Rodrigo,

    Você tem razão, talvez haja realmente o desvio de um foco em outro, porém cada um lida ao seu modo com a abstinência e da maneira que lhe é melhor sucedida concorda? Já tentei por 8 vezes parar de Fumar e em nenhuma vez consegui exito pleno, também não estou dizendo que consiguirei agora, mas acredito realmente que desta vez tenho mais chances de sucesso, por que? Agora tenho como aliados: O exercício físico, a experiência das tentativas passadas, a vontade de não querer mais passar por situações tanto profissionais quanto de lazer discriminadas pela sociedade e pelas empresas e no meu caso em específico, tenho o meu filho pequeno que é minha maior fonte de inspiração, pois quero ver ele crescer e participar de seu crescimento de forma plena, e não através de uma cadeira sentado, sem conseguir aspirar o ar para dentro dos pulmões, que nem aconteceu com o meu pai e eu burro ingressei no vício que lhe fez ficar deste jeito e o levou mais cedo deste mundo.
    Então acredito que qualquer forma para parar de fumar é valida, se não for mais agresiva do que o próprio vício.
    Abraços.

  5. Oi, Rodrigo,

    Quando escrevi este texto fiquei mesmo em dúvida se seria compreendida, pois na verdade a mensagem é dupla – por um lado é preciso estar ciente: uma vez dependente de tabaco, haverá sempre o risco de voltar a sê-lo e portanto ter consciência disto e evitar o contato com a droga é fundamental. Por outro lado, usar a dependência como forma de não tentar o abandono do cigarro é de certa forma fugir do problema (tipo: sou viciado mesmo e não tenho jeito; ou de que adianta parar de fumar e começar a comer demais); ou seja, na verdade é preciso admitir a dependência, reconhecer sua vulnerabilidade a ela, mas não entregar-se a ela!
    Eta tarefa difícil!

  6. Sim, como é, Monica!
    Concordo com seu ponto.

    Esses dias assisti em vídeo um filme muito engraçado, bem “sessão da tarde” cujo título é Apertem os Cintos o Piloto Sumiu. Voce deve conhecer.
    De uma forma escrachada, o filme mostra no final como é tortuoso o modo com que as pessoas podem lidar com suas vulnerabilidades. É o personagem de um controlador de tráfego aéreo que está estressadíssimo porque o avião em questão do filme está em iminencia de cair.
    Aí ele toma a sábia decisão – “ora, isso não é hora de parar de fumar” e acende um cigarro. E depois outro e outro e não pára mais de fumar.
    E depois – “ah, não é hora de parar de beber”.
    E a piada era essa, e sempre que tinha cena desse cara era alguma nova recaída bizarra que ele tinha, tipo “não é hora de parar com os comprimidos”
    E a piada final – ele pega um tubinho e cheira porque não era hora de parar de cheirar cola.
    E desmaia e cai lá da torre de comando!!!!
    E é louco isso e só era engraçado porque é bem real.
    Que seres vulneraveis somos nós à todas essas emoções intensas!!!
    É preciso um trabalho igualmente intenso, ah…..

  7. Boa sorte Vinho!

    De um texto que eu estava lendo agora sobre a postura na meditação mas que serve como postura na vida:
    “O mais importante é estar de posse do próprio corpo físico. Se você se encolhe, está se perdendo de si mesmo. Sua mente estará divagando alhures; você não estará presente em seu corpo. Não é assim que deve ser. Nós temos que existir no aqui e agora. Este é o ponto chave. Você tem que estar de posse de seu corpo e mente. Tudo deve existir no lugar certo e de maneira certa. Então não há problemas.”

    Juro que estive tentando.

  8. Rodrigo,

    Acredito que o importante nisso tudo seja a nossa saúde, e apesar de tudo, continuar fumando não resolve nada, como fumei durante 20 anos, acredite, para mim seria muito mais fácil continuar fumando, mas apesar de fazer academia e até correr uns 6 km quando eu ainda era fumante, é evidente e claro os estragos que o cigarro causa no nosso organismo.
    A decisão e postura tem que ser tomadas, os canais alternativos são validos para aliviar um pouco os sintomas e a falta de um hábito adquirido em torno de uma vida, mas é a única decisão a ser tomada, ou então esperar ter a sorte de não morrer de efisema, coração, AVC ou cancer, proporcionado pelo cigarro. A pessoa também pode ter a sorte de uma morte acidental, mas no final quem deixa de fumar concorda em ponto, se ganha QUALIDADE DE VIDA, isto por si só já deveria ser mais do que sufiente para PARAR DE FUMAR.
    Abraços.

  9. Na realidade, qualquer pessoa pode ser dependente de nicotina de duas formas: a física/química e a psico/emocional. Falo por experiência, pois fumei por 35 anos antes de parar. Assim, as crises de abstinência se manifestam também de duas formas: física, que pode ter como exemplo a insônia; psíquica, que pode ter como exemplo a irritabilidade, ou ainda a “fissura” que é o desejo quase incontrolável de acednder um cigarro.
    Dessa forma, há também dois meios de lidar com as crises: para o aspecto físico, fazer exercícios com regularidade e disciplina, beber muita água pura, comer frutas à vontade. Para o aspecto psicológico: buscar ajuda de todas as formas possíveis, tomar remédios que auxiliam e fazer um tratamento com um médico especializado. No meu caso, fiz também terapia para auxiliar, como uma espécie de “reforço” psicológico. Gastei um pouco, mas gastei também comprando cigarros a vida inteira, então valeu a pena.
    Em relação às frases que originaram os comentários, sou pela segunda posição: eu sou um NÃO fumante e não um EX fumante. Quero lá lembrar que um dia fumei, sô!

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