Tenho vontade de parar novamente mas queria não sofrer… será possível?

Vou usar a última frase do comentário da Michelle (em Inauguração do Blog Vamos Parar) para falar sobre esta delicada questão: dá para parar de fumar sem sofrer?

Acho que a Michelle tocou na ferida, pois muitos fumantes querem parar mas acham que não vão aguentar ficar sem o cigarro. E isto às vezes ocorre por uma experiência anterior, mal-sucedida, ou por medo mesmo sem ter tentado antes.

Em minha prática de trabalho com fumantes, vejo às vezes algumas pessoas que parecem conseguir parar com pouco ou quase nenhum sofrimento, em geral em tratamento especializado, e aí a gente tem até que alertá-los para que o excesso de confiança não os coloque em risco.

Mas o fato é que, de modo geral, há sofrimento sim ao parar de fumar. Uma pessoa que acompanhei dizia isto: “queria tanto não gostar mais de fumar, queria tanto que o remédio me fizesse não sentir falta do cigarro, mas ainda sinto”

Seria ótimo mesmo se houvesse esta pílula mágica, não? Algo que não exigisse quase nenhum esforço pessoal e funcionasse para todos igualmente, mas não é assim. Mesmo o top dos remédios nesta área não funciona igual para todos, e não livra a todos de um período de certo sofrimento, mas talvez mais de adaptação, já que nem todas as mudanças são ruins, têm vários ganhos que são sentidos rapidamente ao largar o cigarro.

Particularmente, acho que o melhor nesta hora é enfrentar. Aceitar que isto faz parte do processo e não é insuportável ou invencível. Buscar ajuda se necessário, mas não esperar que o outro possa fazer tudo por você (seja um remédio, um profissional, uma nova técnica). Um texto que pode ajudar nesta hora é aquele da borboleta, vcs conhecem?
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A lição da borboleta

“Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo e um homem ficou observando o esforço da borboleta para fazer com que o seu corpo passasse por ali e ganhasse a liberdade. Por um instante, ela parou, parecendo que tinha perdido as forças para continuar. Então, o homem decidiu ajudar e, com uma tesoura, cortou delicadamente o casulo. A borboleta saiu facilmente. Mas, seu corpo era pequeno e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observar a borboleta porque esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e ela saísse voando. Nada disso aconteceu. A borboleta ficou ali rastejando, como corpo murcho e as asas encolhidas e nunca foi capaz de voar!

O que o homem, em sua gentileza, em sua vontade de ajudar, não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário para a borboleta passar através de sua pequena abertura, era o modo com que a natureza agia para que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de modo que ela estaria pronta para voar, uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é tudo o que precisamos na vida. Se Deus nos permitisse passar pela vida sem obstáculos, não seríamos como somos hoje. Não seríamos tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.”

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