Lembra-se do Sr. Wilson?

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O que isto tem a ver com cigarro? Bem, é um jeito de entender um pouco mais sobre a dependência psicológica, ou é apenas um devaneio meu, mas as pessoas costumam gostar da analogia…

Se você assistiu ao filme “Náufrago”, deve se lembrar do Sr.Wilson, uma bola de vôley que, junto com o personagem principal, permanece em uma ilha deserta após um acidente. Sozinho, o náufrago desenha na bola um rosto e com ela passa a estabelecer um relacionamento que o protege do penoso sentimento de solidão. A este novo “companheiro” recorre em diversos momentos, de tristeza, de impaciência ou mesmo de esperança.

Para nós, permanece uma bola de vôley desenhada com um rosto, porém para o personagem torna-se um “amigo”, repleto de significação, depositada a partir de seus sentimentos e vivências. Nesse contexto parece óbvio que ao tentar deixar a ilha o náufrago leve consigo o Sr. Wilson.

Enfrenta porém um mar agitado e num determinado momento, a bola cai no mar e ali se expõe um dilema: ir atrás da bola e arriscar sua vida ou ter que abandoná-la para preservar-se. No filme opta-se pela vida, e apesar do intenso sofrimento pela separação, neste momento rompe-se a poderosa relação imaginária construída até então.

Não é difícil conceber a analogia entre o náufrago e sua bola, e o fumante e seu cigarro. Certamente outros fatores atuam também na constituição da dependência ao tabaco, mas não devemos menosprezar a força desta ligação emocional que se estabelece ao longo dos anos de uso do cigarro. É comum ouvir do fumante em tratamento que o cigarro para ele é como um amigo, um companheiro de todas as horas, que parece ajudá-lo a enfrentar as dificuldades da vida.

Recobrar o olhar crítico e romper com tal imagem que foi construída com o passar dos anos pode ser decisivo para o abandono definitivo do tabagismo. Tenha certeza, o cigarro não é seu amigo.

4 comentários em “Lembra-se do Sr. Wilson?

  1. Amei esta analogia!!! Acredito que seja bem parecida mesmo com o tipo de ligação entre o fumante e o cigarro. Mostra também que a separação pode ser um pouco sofrida para algumas pessoas mas é totalmente possível.

  2. É a mais pura verdade as ligações absurdas que são estabelecidas com o cigarro. Os propósitos são os mais diversos desde a ajudar a pensar, alegrias, tristezas, etc. O importante é realmente ver que o cigarro é um vício e que faz muito mal à saúde.

  3. Depois de 10 anos fumando, resolvi parar de fumar. Isso foi há mais de 20 anos e, apesar desse tempo todo, ainda me lembro de como foi difícil parar. Nas duas primeiras semanas, tinha vontade literalmente de bater a cabeça na parede, eu que pensava que isso fosse uma figura de linguagem. Por diversas vezes nos meses seguintes quase acendi um cigarro. Por muitos anos depois de ter largado eu ainda sonhava que havia acendido um e pensava (no sonho): “caramba, voltei a fumar!” Felizmente, essas fases passaram faz tempo, mas ainda hoje guardo forte lembrança delas. Felizmente ainda, não tive nenhuma seqüela física, pois fumei relativamente pouco, mas é incrível como o vício mexeu com a minha cabeça. Acho que só quem fumou faz idéia do que é essa dependência, mas infelizmente só percebe depois que pára.

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