Flexibilidade moral?

Por Kim Mello

A recente declaração do Presidente da Souza Cruz, Dante Letti, de que o cigarro faz mal à saúde, mas que acabar com a indústria tabagista não resolveria o problema, merece ser objeto de debate, pois não há qualquer movimento no mundo para acabar com a indústria do tabaco. “No site oficial da Souza Cruz, líder no mercado nacional de cigarros, os visitantes se deparam com a frase: A única maneira de evitar os riscos associados ao cigarro é não começar a fumar”. O que, convenhamos, associa o consumo do cigarro aos conceitos clássicos de liberdade e livre-arbítrio(conceitos que não podem ser relacionados ao tabaco, já que o produto causa dependência). Pois bem, já adianto que se quiserem entender qualquer discussão a respeito de saúde pública x indústrias, excluam esses conceitos e se pautem por outros dois: Publicidade e Propaganda.
De fato é preciso “deixar bem claro que quem criou a demanda por cigarro não foi a Souza Cruz. O hábito de fumar faz parte da sociedade desde os primórdios”, mas que a Souza Cruz contribuiu e muito para manter essa demanda! O que portanto é um tiro no próprio pé, já que o presidente afirma a existência da demanda por cigarro e de que sua empresa se aproveita disso… Não adianta disfarçar falando que “a Souza Cruz nada mais é do que um agente econômico que faz com que a demanda e a oferta se encontrem”. Se ela fosse apenas um mero agente econômico, não investiria milhões em publicidade e propaganda no intuito de conquistar mais dependentes, dependentes esses de uma substância que mata.
Caro leitor, merece maior destaque o fato de o interesse da saúde pública não ser o que prevalece! A Souza Cruz, assim como outras indústrias, se pautam em discursos que tendem a “ofuscar” os males causados por seu produto.O mais importante, que é a saúde do ser humano… Onde está a preocupação com o ser humano? Sinceramente não é objetivo das atividades desempenhadas por essa empresa.

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