Governo Trump descumpre promessa de banir totalmente cigarros eletrônicos com sabor

Foto de Donald Trump

Em setembro, Donald Trump, presidente dos EUA, havia declarado que todos os tipos de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) saborizados seriam proibidos no país. A medida que acabou publicada, no entanto, foi muito atenuada e baniu apenas alguns sabores em um determinado tipo de DEF. Abaixo, você pode conferir a tradução de uma declaração de Matthew L. Myers, presidente da organização Campaign for Tobacco-Free Kids, explicando por que esse recuo do governo americano representa um enorme retrocesso.

 

01 de janeiro de 2020

WASHINGTON, DC – A política anunciada hoje pelo governo Trump representa uma quebra da promessa feita às crianças e famílias de eliminar os cigarros eletrônicos saborizados que estão causando uma epidemia de vício em nicotina entre os jovens. A medida não deterá o problema, pois permite que produtos com mentol continuem amplamente disponíveis e não se aplicará a dispositivos saborizados por meio de líquidos. Isso é uma concessão à Juul e às “vape shops” e sinaliza que a indústria dos cigarros eletrônicos poderá continuar a ter os jovens como público-alvo e viciá-los com seus produtos com sabor.

Que não haja dúvida: o governo ficou do lado da Juul, da Altria e de outras partes interessadas, em detrimento das nossas crianças. Ao descrever a medida para a mídia, Trump disse que, embora seja necessário proteger as famílias, “ao mesmo tempo, é uma grande indústria. Queremos proteger a indústria.”

As evidências, no entanto, são claras: cigarros eletrônicos com sabor estão causando a epidemia de tabagismo entre os jovens. A maior parte dos consumidores dessa faixa etária usa produtos com sabores e os cita como uma das principais razões para o consumo. Só a eliminação completa dos cigarros eletrônicos saborizados poderá deter essa epidemia e impedir que as empresas continuem a viciar as crianças.

Mas, em vez de retirar esses produtos do mercado, como havia sido prometido em setembro, essa nova política permite que cigarros eletrônicos com mentol e líquidos de todos os sabores imagináveis continuem disponíveis — e, sem dúvida, as crianças vão conseguir colocar as mãos neles.

Essa decisão cria uma brecha enorme e favorece a Juul, a empresa que criou a epidemia, e “vape shops” irresponsáveis, colocando as crianças dos Estados Unidos em risco. Em vez de manter a promessa feita a elas e aos seus pais, o governo adotou a mesma medida que a Juul promoveu em novembro e que está muito aquém do que havia sido anunciado para combater o que foi corretamente chamado de “uma epidemia profundamente preocupante de consumo de cigarros eletrônicos por jovens que está impactando crianças, famílias, escolas e comunidades.”

Evidências indicam que as crianças passarão a consumir produtos com mentol caso eles sejam deixados no mercado. A pesquisa “National Youth Tobacco Survey” mostrou que o uso desse tipo de cigarros eletrônicos disparou em 2019, quando a Juul restringiu a disponibilidade de outros sabores, como manga. Décadas de experiência com cigarros mentolados mostram que eles são apelativos para crianças. Na verdade, mais da metade dos fumantes jovens consomem esse tipo de produto.

A Juul está muito bem preparada para se aproveitar dessa brecha e reclassificar seus populares produtos de menta como mentol. A empresa já descreve repetidamente a menta como um sabor “baseado em mentol” e o Wall Street Journal afirmou que ela está considerando renomear seus “pods” de menta como uma “variante do mentol.”

Do ponto de vista da saúde pública, não há nenhuma justificativa para continuarmos a permitir a venda de cigarros eletrônicos com mentol.

Além disso, a indústria de cigarros eletrônicos já demonstrou os perigos dos líquidos saborizados. Dados da National Youth Tobacco Survey de 2019, publicados no JAMA, mostram que, depois da Juul, os dispositivos da Suorin e da Smok são os mais populares entre estudantes do ensino médio: 7,8% dos usuários afirmaram usar Suorin e 3,1% fazem uso do Smok. Essas estimativas são baseadas apenas em respostas espontâneas, já que a Suorin e a Smok não estavam listadas como opções no questionário. Assim, provavelmente as taxas reais de consumo são ainda mais altas. Tanto a Suorin quanto a Smok usam sistemas de “pods” abertos: diferente da Juul, que vende cartuchos fechados e previamente preenchidos, os dispositivos da Suorin e da Smok vêm com “pods” vazios e reutilizáveis que podem ser preenchidos com líquidos de diferentes sabores e teores de nicotina.

A decisão do governo, que falha em proteger nossas crianças, torna ainda mais importante que o Congresso, os estados e municípios façam isso por meio da proibição da venda de todos os cigarros eletrônicos saborizados. Não há tempo a perder, pois essa epidemia está piorando e já faz com que mais de 5,3 milhões de crianças dos EUA usem cigarros eletrônicos, incluindo mais de 1 a cada 4 (27,5%) estudantes do ensino médio. Os governantes de todos os níveis precisam agir agora para impedir que a Juul e outras empresas viciem uma nova geração de crianças por meio de produtos saborizados.

 

Deixe uma resposta