Fumo e Depressão

Monica | Vamos Parar | Quinta, 15 de Janeiro de 2009

Eis um tema espinhoso já que envolve diversos fatores, mas não é raro ouvir relatos como estes tirados de comentários no blog:

“Estou numa luta pra tentar parar de fumar ha quase tres anos, já fiquei tres meses, semanas, dias e qd menos espero, estou fumando de novo…estou usando remedio e adesivos, mas me sinto muito deprimida sem cigarro, mas sei que preciso parar, q sou exemplo para meus filhos, que já tenho problemas circulatórios e tudo mais…estou desesperada”

“Olá, a médica receitou o Bup e estou fazendo pesquisa de preços. Parei de fumar por Deus em 21/08/08 e não senti mais vontade.Vejo as pessoas fumando parece que nunca fumei (chega a ser engraçado). Mas tenho me sentido muito triste, com ideias negativas, vontade de morrer, dores no corpo.(…)”

“(…)É isto mesmo, a gente fica triste sem saber porque, sente uma falta não se sabe de que, faz parte da abstinência. Afinal, o cigarro fazia parte de nossa vida, é como se tivessem tirado alguma coisa da gente, sem o nosso consentimento.(…)”

Existem muitos aspectos a considerar:

Num primeiro momento, há esta sensação de vazio, uma certa tristeza e necessidade de adaptação, comum em processos de mudança de diversos tipos na vida da gente. Quando se para de fumar, isto é agravado pelo fato do cigarro causar dependência e sua falta desencadeia sintomas de abstinência, gerando às vezes intenso desconforto, ainda que por tempo limitado.

Em alguns casos, porém, isto vai além e se observam sinais de depressão que podem preocupar quem parou de fumar ou seus familiares. Estudos procuram analisar esta associação entre tabagismo e transtornos depressivos, a partir basicamente de 3 hipóteses:
- O abuso de substâncias (no caso a nicotina) pode estar relacionado à ocorrência de episódios depressivos;
- Pessoas com sintomas depressivos fumam no intuito de aliviar sintomas de tristeza ou humor negativo;
- Tabagismo e Depressão não seriam relacionadas diretamente entre si, mas variáveis comuns (por ex. fatores genéticos e psicossociais) contribuem para a expressão de ambos.

Até agora as duas últimas têm sido mais consideradas na literatura especializada. É o caso de considerar e refletir se os sentimentos depressivos advêm da abstinência e são transitórios ou se na verdade são a manifestação de um quadro depressivo que vinha sendo mascarado pelo tabagismo. Se esta última for a hipótese mais provável, a indicação é buscar as causas e tratar a depressão.

Monica | Vamos Parar | Sábado, 10 de Janeiro de 2009

Glauco002 - Glauco002
Folha de SP, 10/01/09

Fumo passivo custa R$ 37 mi por ano ao governo do País

Marina | Vamos Parar | Sexta, 31 de Outubro de 2008

Ontem foi divulgado que o governo gasta R$ 37 milhões por ano com tratamento de saúde e pensões pagas pela morte de vítimas de doenças provocada pelo tabagismo passivo. Os gastos com o tabagismo “ativo” são de R$ 338 milhões por ano.

E qual é o SEU gasto anual com o tabagismo? Um maço de cigarro de R$ 2,40 por dia totaliza 876 reais por ano. Parar de fumar é lucrar na saúde e no bolso!

Orkut

Marina | Vamos Parar | Quarta, 29 de Outubro de 2008

Se você tem perfil no orkut, participe de comunidades sobre parar de fumar. Na comunidade QUERO PARAR de Fumar, por exemplo, mais de 5 mil pessoas discutem o tema.

Fumo de rolo

Monica | Vamos Parar | Sexta, 26 de Setembro de 2008

24 01 07 Monte Formoso 275 - 24 01 07 Monte Formoso 275 Foto: medicosdaterra.blogspot.com

Recebi aqui no blog esta dúvida e pedido da Débora:

“Quero saber quais tratamentos existem para a PESSOA DEIXAR DE MASCAR FUMO, MEU PAI JÁ TENTOU VÁRIAS VEZES E NÃO CONSEGUIU ME AJUDE POR FAVOR”

Apesar de não ser mais tão frequente o fumo mascado, esta ainda é uma prática usada em algumas regiões do país. Pedi à Dra. Stella Regina Martins, Médica Coordenadora do Programa de Tabagismo do CRATOD – SES/SP, que respondesse esta questão e aí vai:

“O tabaco mascado (fumo de rolo) leva a dependência, por isso ele já tentou várias vezes sem sucesso. Não se trata somente de força de vontade. Sem ajuda medicamentosa fica mesmo difícil.

Essa população de usuário não costuma buscar tratamento, mas pelo que você escreve ele está interessado em parar, isso é muito bom, pois reduzirá seus riscos de doenças da cavidade oral entre elas o câncer.

O melhor tratamento seria o acompanhamento com profissional especializado, associado a prescrição da terapia de reposição de nicotina em forma de adesivos. As gomas de nicotina estão contra-indicadas, pois reforçarão seu hábito de consumir nicotina através da mascação.

Estamos na torcida.

Stella”

Valeu, Stella, obrigada!

PERDENDO A VIRGINDADE TABAGISTICA AOS 46

Monica | Vamos Parar | Sexta, 19 de Setembro de 2008

Texto adaptado pela Sofia, colaboradora da ACT, a partir de reportagem da Folha de SP, Caderno Mais, de 07/09/08.

É isto mesmo que você leu: após de 46 anos de resistência ao tentador mundo do cigarro a curiosidade tomou conta do professor Tom Chiarella: “Vivi 46 anos antes de fumar meu primeiro cigarro. Então me converti em fumante por 30 dias propositadamente (…) eu queria chegar a um maço por dia em um mês. Então eu deixaria de fumar. Se isso me fizesse ficar doente, tudo bem. Eu queria sentir isso. Se apresentasse sintomas de abstinência, ok, eu lidaria com isso. Eu precisava entender”.

Para um americano, em que o cigarro é cada vez mais uma figura pejorativa, começar a fumar poderia trazer a ele a irresistível e provocante sensação de provar o inadequado. A iniciação dos fumantes geralmente se dá na infância ou na juventude, faixa etária predileta dos ataques da indústria tabagista; começar a fumar para um homem de meia idade traz a ele tudo aquilo que a indústria tenta vender para atrair os seus consumidores infanto-juvenis, aquela velha conhecida história da liberdade, conseguir aquele ar despojado e descolado, associando o cigarro como uma ponte para fazer novas amizades.

Pois bem, este homem que já viveu a experiência de ver o filho se tornar um dependente da nicotina e o repreendeu severamente por isto, se atreveu a experimentar 30 dias como fumante com o desejo de tornar-se um dito “fumante inveterado”; passou o mês experimentando até 34 marcas de cigarros diferentes e 11 isqueiros . Relatou na revista ESQUIRE a experiência de como é ser um fumante americano.

Mesmo diante de protestos e incredulidade, realizou seu projeto. Sua namorada reagiu: “Você vai usar isso contra mim? Você não pode imaginar que eu gosto disso. Não pode.”
“De quê? De eu fumar?”
“Não. De eu mesma fumar”

No relato Tom mostra a necessidade que tinha em aventurar-se neste mundo esfumaçado que é o do fumante, porém mal sabia ele como era o ato de fumar, as etapas deste ato eram praticadas por ele com dificuldade, desde posicionar o cigarro entre os dedos, acendê-lo, tragar e soltar a fumaça. Para este homem o mês foi intenso de novas amizades e reencontro com as antigas, mas também intensificado de vômitos, dores de cabeça, tosses e dores no peito, que não combinaram em nada com a imagem “cool” que parecia haver conseguido com o cigarro.

A inexperiência do novo fumante era tanta que foi capaz de ligar para o fabricante do produto pedindo instruções de uso! As instruções não foram fornecidas ao cliente, alegando o atendente que não as tinha.

Depois de praticar inúmeras vezes, o novo fumante parecia haver tomado gosto pelas sofridas tragadas de fumaça. Tom queria fumar com seus amigos fumantes, fumar com as pessoas nas esquinas, com a professora na escola em que lecionava, queria apreciar o cigarro após o sexo. Encerrou sua empreitada fumando no último dia 22 cigarros. Após a experiência maluca parou de fumar e passou seis dias em casa jogando videogame, incapacitado de pensar, escrever, de sair, com uma dor de cabeça interminável; engordou 5kg e passou a beber demais, sentia falta do cigarro e do impulso que acreditava que o cigarro lhe proporcionava. Segundo Tom, fumar tinha intensificado todas suas outras dependências ressaltando todas suas outras falhas.

FOLHA DE SP - Que conselho o sr. daria a quem pensa em começar a fumar?
CHIARELLA - É uma droga, vai afetá-lo como uma droga. Parece um acessório de moda, mas é uma droga. Se não toma outras drogas, por que essa?

Último desejo?

Monica | Vamos Parar | Domingo, 31 de Agosto de 2008

O projeto de lei do Serra é ótimo, vamos acompanhar seu trajeto na Assembléia Legislativa, mas prevê algumas exceções e entre elas está uma polêmica: não se pode fumar em instituições de saúde, mas se o médico autorizar isto é possível com recomendações de ventilação adequada, etc. Eu estava presente na solenidade em que o governador anunciou a medida e até ele demonstrou incerteza com este item.

Em um grande e chiquérrimo hospital de SP isto às vezes acontecia (tudo pela satisfação do cliente, ops, paciente, especialmente vips, verdade nua e crua). A tal da ventilação adequada não existe, pacientes do quarto ao lado percebiam e reclamavam do cheiro de fumaça!

E este é o ponto: esta lei tem como finalidade proteger a saúde das pessoas, especialmente daqueles que involuntariamente são obrigados a inalar a fumaça de tabaco. Não se trata de proibir o fumante de fumar, mas sim delimitar onde não se deve fazê-lo em respeito ao próximo e/ou à segurança do local.

Já vi gente fumando em postos de gasolina, parecem esquecer que há uma brasa acesa em meio aos produtos inflamáveis, mas vou voltar ao foco: do mesmo jeito que para viajar de avião o fumante se prepara para ficar sem fumar, ou adota uma medida de apoio para tolerar a situação (como usar um adesivo de nicotina na viagem), o mesmo deve ser pensado no caso de uma internação hospitalar.

Aí vale muito também o bom senso e capacitação do médico, que deve reconhecer quando seu paciente é muito dependente e prescrever o tratamento para prevenir ou aliviar a abstinência de tabaco. Mas discutindo a questão com uma médica, ouvi a seguinte questão: e se o paciente pedir como último desejo dar uma pitada na UTI? Aí me pergunto: será que isto é frequente? Puxa, só me ocorre pensar que tristeza que de tantas coisas para se pensar neste momento, a pessoa só consiga se lembrar do cigarro, que aliás provavelmente é o assassino que a está matando.

Comemore ao parar de fumar!

Monica | Vamos Parar | Sexta, 18 de Julho de 2008

5237fogos - 5237fogos

Recebemos esta semana no site um convite para participar da comemoração de 20 anos sem fumar de um leitor da ACTbr, o Rony, do Rio de Janeiro. Muito legal, PARABÉNS, Rony!!!

Eu conheci uma pessoa que comemorava todo ano na data de parada, dizia que nasceu de novo e por isto merecia uma festa de aniversário também nesta data. Faz sentido. Após passar a fase da abstinência e falta do cigarro, as pessoas se sentem muito bem, respiram melhor, rejuvenescem e de quebra ainda sentem melhora na auto-estima.

E o Rony, após 20 sem fumar, já deve estar com o organismo recuperado dos estragos do fumo, com os riscos de contrair doenças igualado a de não-fumantes. Vale a festa e todo nosso apoio e reconhecimento pela conquista.

Mas p/ quem parou há 3 meses ou 01 ano também vale uma comemoração, pense nisto! Faça uma análise do que já mudou neste período. Se puder, compartilhe conosco aqui no blog, pois isto ajuda bastante quem está deixando de fumar.

Grande abraço,
Mônica

Campanha do Ministério da Saúde

Monica | Vamos Parar | Quarta, 2 de Julho de 2008

Para quem ainda não viu, vale a pena clicar abaixo e ver o vídeo da campanha do Ministério da Saúde deste ano de 2008, voltado à prevenção e denúncia do marketing dirigido aos jovens.

Clique Aqui para ver

Será um exagero? Então vejam abaixo trechos reveladores tirados de documentos internos de empresas de tabaco e citados na sentença da juíza Kessler, no processo Estados Unidos x Philip Morris, agora com síntese disponível em português:

“Se as empresas tabagistas realmente eliminassem o marketing p/ crianças, estariam fora do mercado em 25 ou 30 anos, porque não teriam consumidores suficientes p/ manter seus negócios” (LeBow, Presidente da Vector Holdings Group)

“As tentativas de atrair jovens fumantes ou iniciantes devem se basear nos seguintes parâmetros: apresentar o cigarro como uma das formas de entrar no mundo adulto; apresentar o cigarro como parte da categoria de produtos e atividades relacionadas com prazeres ilícitos; tangenciar os símbolos básicos do processo de crescimento e maturidade; relacionar o máximo possível (considerando algumas restrições legais) o cigarro com “baseado”, vinho, cerveja, sexo, etc.”(Relatório preparado p/ a B&W)

“Nosso cliente solicitou que criássemos um design de embalagem que fosse atraente p/ a garotada…deve atrair a atenção do jovem, mas não pode chamar a atenção dos vigilantes do Governo Federal”(Gaberman, Diretor Criativo da Robert Brian Associates)

E por aí vai… não se deixar enganar ou iludir é a melhor maneira de não entrar nesta roubada!

Eh, dureza!!!

Monica | Vamos Parar | Terça, 17 de Junho de 2008

Recebo diariamente novos comentários aqui no blog de pessoas que estão parando de fumar. Curioso que tem alguns posts que considero que criaram vida própria, pois os comentários vão sempre p/ lá (O que é Bup? e Parando de fumar…)! Ótimo, se cria um diálogo espontâneo e todo mundo se ajuda. Vejo que tem gente ainda no maior sofrimento, parece duro vencer a batalha, aí vem a turma que já está mais a frente e estimula as pessoas a persistir.

Pois saibam que isto não só estimula quem está enfrentando o desafio, mas também a mim, que acompanho de perto esta batalha que é de ordem pessoal e também coletiva. Poder cuidar mais de si e da própria saúde é muito bom. Cada um com sua história e momento, mas é inegável que é muito bom. E por que este título, então?

É que às vezes bate um desânimo, parece que as barreiras são tão grandes e nós tão pequenos…acho que é parecido com o que sente o ex-fumante que está sofrendo com a falta de cigarro! Mas voltar atrás é se submeter de novo, é como reforçar a impotência. Não adianta se iludir indo p/ o oposto de que tudo podemos. Mas temos também que recusar a impotência. Como diria o Beto, que anda sumido por aqui: nem herói, nem rato, apenas gente.

Estive hoje num encontro do COMUDA (Conselho Municipal de Políticas Públicas de Drogas e Álcool) em SP e numa mesa redonda debatemos a questão da publicidade do álcool e produtos de tabaco. No álcool se discute a necessidade de maior conscientização da população e da mídia. No tabaco temos já uma maior conscientização da população e da mídia, mas agora esbarramos nos políticos e toda sua “permeabilidade” aos interesses econômicos da indústria do tabaco e congêneres.

Agora vocês podem entender o título…

Próxima Página »