Porque apoiar e promover o “Guia alimentar para crianças brasileiras menores de dois anos”

Crianças não nascem com manual de instruções. Mas no quesito alimentação saudável, pais, mães, familiares e educadores podem contar com as informações valiosas, sem fake news e sem conflito de interesse, do novo “Guia alimentar para crianças brasileiras menores de dois anos”, uma publicação do Ministério da Saúde que acaba de ser lançada. A mensagem é clara: para a saúde dos bebês e crianças pequenas, vale usar e abusar do leite materno, oferecer comida de verdade a partir dos seis meses de idade, e nada de produtos ultraprocessados ou com açúcar. Uma publicação robusta, valiosa e que está alinhada a alguns dos temas da agenda da Aliança para Alimentação Adequada e Saudável (clique aqui para fazer download do Guia).

Esta é a terceira versão do Guia, inicialmente publicado em 2002 quando apresentou as primeiras recomendações oficiais brasileiras sobre alimentação e nutrição na faixa etária de zero a dois anos de idade para profissionais de saúde, e que foi revisado e republicado em 2010.

Novidades da terceira edição

“Um dos diferenciais é que esta edição é um material direcionado para as famílias, o que é diferente de uma publicação voltada aos profissionais da saúde. Usamos uma linguagem mais simples e clara, e procuramos convocar todos os cuidadores para que estejam envolvidos na alimentação saudável das crianças pequenas, desde familiares aos profissionais das creches”, afirma Luciana Maldonado. 

E é um documento escrito a muitas mãos: contou com oficinas de escuta das famílias, participação de dezenas de especialistas, entre pediatras, nutricionistas e enfermeiros, além de contar com um grupo de monitoramento, que incluiu a participação de organizações internacionais e nacionais de referência na área, como a Organização Mundial da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria, Conselho Federal de Nutricionistas, Rede internacional em defesa do direito de amamentar (Ibfan), Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), entre outros. 

Alinhado às recomendações do Guia para a população, lançado em 2014, o Guia alimentar para crianças menores de 2 anos também adota a classificação NOVA de alimentos, segundo seu grau de processamento. Por isso uma das suas mensagens contundentes é evitar os alimentos ultraprocessados – como as papinhas industrializadas, refrigerantes e bebidas açucaradas, entre tantos outros – e cozinhar mais. Dos doze passos para uma alimentação saudável, que resumem as orientações do guia, três estão diretamente relacionados ao tema: oferecer água própria para o consumo à criança em vez de sucos, refrigerantes e outras bebidas açucaradas; não oferecer açúcar nem preparações ou produtos que contenham açúcar à criança de até dois anos de idade; e não oferecer alimentos ultraprocessados para a criança. 

Outra novidade do guia foi contemplar um capítulo específico com recomendações para crianças que não recebem o aleitamento materno exclusivo. “É óbvio que valorizamos demais o leite materno e achamos que o principal foco da política pública tem que ser o incentivo ao aleitamento. Mas, por diferentes motivos, alguns bebês,  não são amamentados e a gente decidiu que precisava dar atenção a essas crianças também, elas também são cidadãs”, afirma Luciana.

Mais cozinha, menos comida embalada

O documento também sensibiliza sobre os perigos da publicidade direcionada às crianças pequenas, dá dicas de como organizar o cardápio da família, as compras, higienização dos alimentos e dá receitas e dicas culinárias. “O nascimento de uma criança é uma oportunidade para toda a família refletir sobre sua alimentação. E para cuidar melhor da alimentação é preciso cozinhar em casa e dividir tarefas: não dá mais para a mulher acumular todas as tarefas da casa e trabalhar fora. Assim como temos rede de apoio para o aleitamento materno, é necessário organizar o cotidiano, e todos que moram na mesma casa, homens e mulheres, têm que contribuir para que todo mundo se alimente melhor”, afirma Luciana Maldonado. 

E vale ressaltar que, mais do que um guia direcionado às famílias, a publicação é um documento que orienta ações de educação alimentar e nutricional, em âmbito individual e coletivo no Sistema Único de Saúde e em outros setores, e orienta também políticas, programas e ações que visem apoiar, proteger e promover a saúde e a segurança alimentar e nutricional das crianças brasileiras. E tudo isso alinhado a vários temas da agenda da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, como a promoção proteção e apoio à amamentação e à alimentação complementar saudável, contribui com a sensibilização contra a publicidade dirigida ao público infantil e de alimentos ultraprocessados, e promove a alimentação adequada e saudável nas creches. 

Vamos juntos e juntas promover o Guia alimentar para crianças brasileiras menores de dois anos?

Quer fazer mais? Obesidade infantil, não!

Assine a petição apoiando o Projeto de Lei 1755/2007, que proíbe a venda de refrigerantes nas escolas de educação básica, públicas e privadas, e pode ser votado a qualquer momento no plenário da Câmara dos Deputados. Participe da campanha em: http://bit.ly/Escola-Sem-Refri

 

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