Desdobramentos da AMS 71: posicionamento dos EUA contra incentivo à amamentação em destaque no NY Times

Em post no blog da ACT no início de junho, Paula Johns, nossa diretora, já havia contado sobre o triste espetáculo que foi a atuação dos Estados Unidos na Assembleia Mundial da Saúde (AMS) para tentar barrar uma resolução com incentivos à amamentação e recomendação de restrição da publicidade enganosa de substitutos. Logo depois, o Joio e o Trigo, projeto de jornalismo investigativo sobre políticas de alimentação saudável apoiado pela ACT, publicou uma reportagem sobre o tema. Agora, o assunto volta à pauta com a publicação de uma reportagem e um editorial no NY Times, críticos à postura do país. Aqui no Brasil, o jornal O Globo também falou sobre o assunto.

 

Discussões na AMS

Na AMS, a questão começou com um debate sobre uma resolução, com texto primeiramente elaborado pelo Equador, que reconhecia que o aleitamento materno é a opção mais saudável para os bebês e recomendava a adoção de medidas para combater a propaganda enganosa de substitutos. Não querendo que a resolução fosse discutida, em uma clara defesa aos interesses comerciais dos fabricantes desses substitutos, os Estados Unidos então passaram a ameaçar o Equador com restrições comerciais e de ajuda militar, até que o país acabou desistindo de apresentar o texto.

O assunto só avançou quando a Rússia assumiu a apresentação da proposta. Seguiram-se, então, dez horas de negociações, nas quais os EUA continuaram atuando para que outros países não manifestassem apoio à resolução – mesmo com todas as evidências científicas que a corroboram. O NY Times relata que, durante o debate, os EUA chegaram a sugerir que poderiam cortar suas contribuições à própria Organização Mundial da Saúde.

 

Resolução

A resolução final aprovada, segundo a reportagem do Joio, “enfatiza o aleitamento exclusivo e  serve de guia para os países sobre como incentivá-lo. No entanto, o texto não cita qualquer ação a respeito do lobby do setor privado, especialmente contra o marketing agressivo das fabricantes dos supostos substitutos do leite materno”.

“Assim como aconteceu na AMS70, assistimos ao mesmo filme, de péssima qualidade, dos EUA minando as políticas mais eficazes para reduzir o número de novos casos de doentes crônicos pelo mundo afora”, escreveu também Paula Johns, que estava presente na Assembleia e acompanhou o debate.

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