Vareniclina e tratamento do tabagismo

Monica | Vamos Parar | Sábado, 26 de Abril de 2008

Escrito com o apoio do Dr. Paulo Cesar R.P.Corrêa, médico pneumologista e representante da ACTbr em MG.

Como já foi citado aqui no blog, uma das opções de tratamento farmacológico para o tabagismo se dá através do uso do tartarato de vareniclina (nome comercial: Champix). O remédio foi aprovado pela ANVISA em 18/09/2006 e está sendo comercializado no Brasil desde 2007. É um remédio que só pode ser usado após avaliação e prescrição médica.

A vareniclina é um agonista seletivo parcial do receptor nicotínico, desenvolvida especificamente para a cessação do tabagismo. É altamente seletiva para o subtipo alfa-4 beta-2 do receptor nicotínico no cérebro, que se acredita ser o mediador das propriedades de reforço da nicotina.

Como agonista parcial deste receptor nicotínico, a vareniclina oferece vantagens sobre as terapias atualmente disponíveis para a cessação do tabagismo. As propriedades agonistas da vareniclina podem aliviar o desejo e reduzir os sintomas da retirada da nicotina, enquanto as propriedades antagonistas do composto podem reduzir o sentimento de recompensa que fumantes obtém do tabagismo, reduzindo assim a possibilidade de recidiva.

Simplificando: o remédio “ocupa” o lugar da nicotina, ligando-se ao receptor em grau menor que a nicotina, porém de forma a reduzir os sintomas de desejo de fumar e da abstinência. Conseqüentemente, os indivíduos podem não somente atingir como também manter a abstinência.

A tolerabilidade ao medicamento é considerada boa, mas algumas pessoas podem apresentar sintomas como náuseas, cefaléia, insônia, sonhos vívidos ou alterações psicológicas, como mudança de humor ou aumento de ansiedade. Estas alterações devem ser relatadas ao médico e sob orientação deste eventualmente ser interrompido o uso do produto.

A duração do tratamento é de 12 semanas, podendo ser duplicada se necessário. E mais uma vez, o remédio não é pílula mágica, sendo que o apoio psicológico, motivação e empenho por parte do fumante para largar o cigarro são fundamentais!

Qual a idade do seu pulmão?

Monica | Vamos Parar | Sexta, 18 de Abril de 2008

Por Ayla Farias
Da Agência BOM DIA

Mostrar ao paciente a idade que o pulmão aparenta ter é a nova arma do IMC (Instituto de Moléstias Cardiovasculares) de Rio Preto para combater o tabagismo e tratar as doenças crônicas causadas pelo cigarro. A técnica, importada da Inglaterra, compara o cálculo da idade pulmonar em relação à idade da pessoa que, segundo os médicos, faz efeito e influencia na decisão de parar de fumar.

O cálculo é feito por meio de uma fórmula que combina dados como a idade, peso, altura, quantidade de cigarros fumados ao dia e aos hábitos de vida do paciente. Estes dados são tabulados com os resultados da espirometria, exame que avalia os fluxos pulmonares.

Estudos feitos com dois grupos na Inglaterra mostraram que apenas 6,4% dos que recebiam apenas o resultado da espirometria pararam de fumar. No grupo que tinha o resultado do exame e também a idade pulmonar o índice era de 13,6%. “Os dois resultados combinados fazem efeito. Ao saberem a aparência do pulmão, a reação é outra. Isto é significativo e vamos passar a aplicar em nossos pacientes”, diz o pneumologista do IMC Egberto Palmegiani Jr.

A técnica começa a ser aplicada em maio. É aconselhada para fumantes com mais de 40 anos e que fumem há 20, combinada com a espirometria.

Comentário (meu): Porquê será que isto acontece, de mais gente parar ao saber que seu pulmão está mais velho para sua idade? Fica mais visível, palpável p/ o fumante o dano ao seu pulmão? Mas e o pigarro, tosse, falta de ar, são tão visíveis e ao mesmo tempo ignorados, né?
Ou cai a máscara de uma boa aparência externa x condição interna?
Sei lá… para mim é como se ao falar da idade do pulmão tivesse incorporado a ele certa característica mais humanizada, e passa a existir um maior apelo de cuidado. Será?

Fumar e beber demais faz Alzheimer chegar quase dez anos mais cedo

Monica | Notícias | Quinta, 17 de Abril de 2008

Por Marília Juste

O excesso na hora de fumar e beber pode antecipar os sintomas do mal de Alzheimer em cerca de oito anos, afirma um estudo divulgado nesta quarta-feira (16). E, quanto mais cedo a doença chega, mais casos se somam nos hospitais, afirmam os médicos.

“A prevalência do Alzheimer aumenta de acordo com a idade média dos pacientes. Segundo estimativas, ela dobra a cada cinco anos a partir dos 65 anos de idade”, explica o autor do estudo, o neurologista Ranjan Duara, do Centro Médico Monte Sinai, nos EUA. Ou seja, a prevalência do mal entre a população com 70 anos de idade é duas vezes maior do que a que existe entre os que têm 65 anos, e assim por diante.

“Nosso cálculos indicam que se conseguissemos atrasar o aparecimento da doença em cinco anos em média, o número de casos cairia pela metade”, afirma o médico. É aí que entra a pesquisa, divulgada na Reunião Anual da Academia Americana de Neurologia, em Chicago, nos Estados Unidos. Se o elo for comprovado, ficam abertas as portas de uma excelente e simples medida de saúde pública contra o Alzheimer.

“Se os governos fizerem campanhas e as pessoas se conscientizarem que basta beber moderadamente e parar de fumar para se protegerem dessa doença tão assustadora, acredito que teríamos avanços consideráveis”, diz Duara.

A pesquisa analisou 938 pessoas de mais de 60 anos diagnosticadas com Alzheimer “provável”. Os cientistas reuniram informações sobre esses pacientes e verificaram se eles eram portadores de uma variante do gene APOE, ligada a um aumento no risco de se desenvolver a doença –- e 27% deles eram. Além disso, 20% foram considerados fumantes abusivos, porque consumiam um ou mais maços de cigarro ao dia; 7% bebiam em excesso, mais de duas doses diárias.

De todos os analisados, 17 indivíduos tinham os três fatores de risco: bebiam demais, fumavam demais e tinham o gene APOE. Neles, o Alzheimer chegou cerca de 8,5 anos antes que nos demais – em média, os primeiros sintomas apareceram aos 68,5 anos. Havia também pessoas que não tinham nenhum desses fatores, um total de 374 – nelas, a doença surgiu, em média, aos 77 anos.

Além de pegar leve na bebida e parar de fumar, o neurologista recomenda também exercícios regulares e uma dieta saudável para diminuir as chances de se ter a doença.

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL403269-5603,00-FUMAR+E+BEBER+DEMAIS+FAZ+ALZHEIMER+CHEGAR+QUASE+DEZ+ANOS+MAIS+CEDO.html

Preços e impostos sobre cigarros

Monica | Notícias | Sexta, 11 de Abril de 2008

A ACTbr lançou uma análise, feita pelo economista Roberto Iglesias, da PUC-RJ, que derruba um dos principais mitos divulgados pela indústria do tabaco: o de que aumentar preços e impostos sobre cigarros estimula o comércio ilegal. No estudo, feito entre 1991 e 2008, Iglesias mostra que o preço real atual dos cigarros está 20% abaixo do que era praticado em dezembro de 1993, período em que os cigarros eram os mais caros nesta análise.

Este estudo vai ao encontro do relatório da Organização Mundial da Saúde, lançado em fevereiro, que recomenda seis medidas prioritárias para diminuir a epidemia do tabagismo nos países. Uma delas é o aumento de preços e impostos sobre cigarros, considerada pela OMS como a medida mais eficaz para reduzir o consumo. Embora alguns países tenham aumentado os preços e impostos sobre produtos de tabaco, eles continuam baixos na maioria esmagadora dos países, inclusive no Brasil.

A título de informação, o cigarro brasileiro é o sexto mais barato do mundo. Na região das Americas, é o segundo: só o cigarro paraguaio é mais barato do que o nosso segundo o ranking da OMS.

O estudo de Roberto Iglesias está disponível em: www.actbr.org.br

Muita calma nesta hora

Monica | Vamos Parar | Sexta, 4 de Abril de 2008

Esta semana saiu na imprensa sobre o cigarro eletrônico, ou e.cigarro, que promete ajudar as pessoas a parar de fumar ou continuar fumando um produto menos nocivo. Daí eu soube que já teve gente que tinha parado de fumar e procurou o médico para perguntar se podia fumar o e.cigarro (!). MUITA CALMA NESTA HORA.

Primeiro que este produto não está liberado para venda no Brasil; segundo que pelo que eu vi ele contém nicotina e tem a proposta de uma diminuição progressiva de dose, mais ou menos como era aquela piteira que ainda estou para ver quem conseguiu parar de fumar com aquilo. Assim, é melhor não entrar no desespero de ir atrás de qualquer novidade. Se quiser fazer um tratamento, consulte um médico ou um profissional de saúde que trabalhe com isto, é o melhor caminho.

No site da ACTbr (www.actbr.org.br) tem uma lista de locais de tratamento em várias cidades do Brasil, dê uma passadinha por lá!