Impulsividade e Recaída

Monica | Vamos Parar | Terça, 26 de Fevereiro de 2008

Você é uma pessoa impulsiva?
A impulsividade pode ser definida como “uma dificuldade crônica em adiar a gratificação ou inibir a resposta a estímulos de recompensa”(Monterosso & Ainslie, 1999), ou seja, quem é considerado impulsivo não tolera muito as frustrações, reage impetuosamente e espera uma satisfação rápida de seus anseios.

Um prato cheio p/ se tornar sério candidato a ser fumante, não acham? É sabido que o fumo age rapidamente, em 8 segundos a nicotina atinge o cérebro, proporcionando uma série de reações que dão a sensação de prazer ao tabagista. Prazer quase imediato sem muito esforço. Mas com altíssimo custo, não vamos nos esquecer.

Bem, mas se alguns estudos já abordaram esta questão da impulsividade e iniciação no tabagismo, um outro avaliou se isto interferiria também na maior dificuldade em abandonar o cigarro(Doran e cols, 2004). A lógica é simples: a pessoa impulsiva tem mais dificuldade de tolerar a abstinência à nicotina e em resistir à tentação de um trago ou de voltar a fumar.

E a conclusão foi esperada: os participantes mais impulsivos do estudo recaíram mais e mais rapidamente do que os não-tão-impulsivos-assim.
Na verdade é meio óbvio, mas é interessante ter atenção a esta característica: controle sua impulsividade p/ prevenir recaídas ao parar de fumar!

Do solitário ao solidário

Monica | Vamos Parar | Segunda, 25 de Fevereiro de 2008

maos - maos

Parar de fumar é uma decisão pessoal, que leva em conta muitas coisas. Por mais que seja influenciada também por fatores externos, é uma decisão solitária, daquelas que tomamos ao olhar para dentro e passar a ter um novo objetivo.

Uma vez tomada, passa-se a pensar em como fazê-lo, quando e com quem dividir esta decisão. Às vezes é um processo lento, às vezes tão rápido que até surpreende.

E por mais que a decisão seja solitária e o caminho único para cada um, faz muita diferença o apoio que se pode receber nesta empreitada. Falar ou escrever, ouvir ou ler, enfim, a troca de experiências parece impulsionar o desejo e facilitar o enfrentamento das dificuldades.

Por isso pode ser uma boa idéia participar de grupos de cessação de tabagismo, que são espaços onde esta troca é incentivada e são mediados por um profissional que busca potencializar os benefícios deste encontro, além de utilizar-se de técnicas específicas para alcance das metas terapêuticas.

“O tratamento em grupo emprega essencialmente as mesmas técnicas que o individual, mas acredita-se que possa proporcionar algumas vantagens específicas, como maior suporte social e maior facilitação da discussão de situações de risco e meios de lidar com as mesmas. Especula-se se a facilitação da discussão de problemas, propiciada pelo grupo, contribua de modo específico para a efetividade dos tratamentos. Por outro lado, o tratamento individual permite maior atenção e adaptação às características especificas de cada paciente. Deve ser levada em consideração a preferência do paciente, bem como a disponibilidade do tratamento.” (Presman, Carneiro & Gigliotti, 2005)

E para quem não está em tratamento, a via de buscar e oferecer ajuda através dos blogs pode ser muito útil, se constituindo em uma forma importante de apoio social e incentivo à cessação do tabagismo.

Obs: Tem blog novo na área, vejam e apóiem o blog de sabura2006 (ver ao lado)

Uma entrevista especial

Monica | Vamos Parar | Quinta, 21 de Fevereiro de 2008

Nesta última semana temos sido muito procurados na ACT em função da divulgação do relatório da OMS, dos projetos de lei sobre fumódromos no Brasil e agora também em função do evento a ser realizado na PUC.

Hoje dei uma entrevista para uma rádio do interior de SP e ao final a repórter fez um desabafo relatando sobre o sofrimento associado à morte do pai, fumante, por câncer de pulmão. Me surpreendi pois em geral em entrevistas o repórter não se expõe, mas um tema como este facilmente induz a um testemunho pessoal.

Quem não conhece ou conheceu um fumante que teve problemas de saúde por fumar? Quem já não se preocupou com alguém ou com si mesmo por este mesmo motivo?

Às vezes há certo constrangimento, ou uma reafirmação tipo: não fumo, nunca fumei, como se por trabalhar nesta área fôssemos anti-tabagistas. Ou pessoas autoritárias que querem controlar a vida dos outros e interfirir com os direitos dos fumantes. Não se trata disto. Da forma como vejo, esta é uma distorção grosseira dos fatos e revela a superficialidade com que a questão é tratada muitas vezes.

A começar pela discussão da “escolha” por fumar ou não, seguindo pelo “direito” individual de fumar. A meu ver, um adulto poderia escolher fumar e preservar isto desde que respeitando o outro. Porém o que dizer desta escolha quando sabemos que a iniciação em geral se dá na adolescência, influenciada pelo marketing do produto e contexto social, e se trata de uma droga que gera dependência? Para a maior parte dos adultos fumantes não se trata de escolha, e sim necessidade, uma vez que são dependentes do cigarro. E diante da invocação dos direitos do fumantes, vem a óbvia pergunta: e os direitos dos não-fumantes? A fumaça é tóxica, incontestavelmente.

Daí a conscientização progressiva quanto ao fumo ao ar livre, onde é mais fácil a dispersão das partículas do tabaco. E informação, e tratamento, e contenção aos interesses de quem produz e comercializa estes produtos.

Assim, fonte de prazer ou necessidade, o fumo é lícito e não se trata de extingui-lo. Mas é preciso reconhecer a extensão de seus malefícios para além do corpo do próprio fumante. E aí, minha gente, quanto mais se descobre pior fica, mesmo! Mas a maior parte das pessoas ainda conhece pouco desta história toda. Eu mesma só me aprofundei pois fui atraída pelo desafio de entender o que se passava com aqueles pacientes que não conseguiam livrar-se do fumo, entregando sua respiração e sua vida a esta dependência, talvez como ocorreu com o pai da repórter, e aí uma coisa foi puxando a outra. E o desabafo dela levou ao meu…

Evento na PUC SP

Monica | Notícias | Quarta, 20 de Fevereiro de 2008

cartazpuc2008 - cartazpuc2008

Lei restringe fumo de cachimbo, charuto e cigarrilha em São Paulo - Veja a opinião da ACTbr

Monica | Notícias | Sexta, 15 de Fevereiro de 2008

Esta semana foi sancionada uma Lei que na opinião da ACTbr é inadequada. Segue abaixo a reportagem que saiu na Folha de SP sobre o assunto e a carta enviada hoje pela ACTbr ao jornal.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u372099.shtml
da Folha Online

O fumo de charutos, cigarrilhas e cachimbos em locais que não são reservados exclusivamente para essa prática está proibido a partir desta quarta-feira na cidade de São Paulo. Uma modificação à lei 10.862, de julho de 1990, que restringe ainda mais o fumo em locais públicos, foi publicada hoje pela prefeitura no “Diário Oficial”.

O projeto de lei do vereador Farhat (PTB), aprovado pela Câmara e sancionado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), prevê que, se o comerciante deseja que seus clientes fumem cigarrilhas, charutos ou cachimbos, ele tem de criar uma área específica, fechada e separada das demais dependências do estabelecimento.

“Percebemos que às vezes em lanchonetes ou restaurantes que há local para fumante e não fumante, algumas pessoas fumam charuto, por exemplo. O recinto fica impregnado com um cheiro forte. Já vi uma situação de um casal solicitar que um garçom pedisse para um homem apagar seu charuto, mas essa pessoa disse que estava na área de fumante. Ele se sentiu no direito. Não havia restrição”, disse o vereador autor do projeto.

A partir de quinta-feira (14), os estabelecimentos têm de se adequar à nova lei. Segundo Farhat, os próprios comerciantes serão os fiscais da nova proibição –são eles que têm de pagar a multa caso o fumante saque um charuto, cigarrilha ou cachimbo em lugar inapropriado. A multa é de sete UFMs (Unidades Fiscais do Município) –R$ 610,40 em fevereiro deste ano. “Eles [comerciantes] terão um argumentos com os clientes. No Brasil, o que não está escrito é permitido”, afirmou o vereador.

Opinião da ACTbr:

Em relação à reportagem sobre a proibição de fumar charuto em restaurantes de São Paulo (Folha de S. Paulo, 14 de fevereiro), é fundamental registrar que a lei municipal 14.695, sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab, não representa qualquer avanço para a discussão quanto à proibição do fumo em lugares fechados. Aliás, já há lei de âmbito federal sobre o assunto, a 9.294, de 15 de julho de 1996, que somente permite o fumo em lugares coletivos e fechados desde que em local isolado e devidamente ventilado e inclui todos os produtos derivados de tabaco.

Aqueles que desviam a discussão para a questão do cheiro do charuto, argumentando ser pior que o do cigarro, prestam um desserviço ao Brasil e aos brasileiros: mais relevante que o cheiro é o problema de saúde pública e ocupacional representado pela fumaça de quaisquer produtos derivados de tabaco, como o cigarro, charuto, cigarrilha, etc.

A nova lei nada fala sobre os cigarros, deixando a impressão, portanto, de que no município de São Paulo fumar cigarro em ambientes coletivos está liberado, enquanto o consumo de charuto, cigarrilha etc necessita de isolamento. A ACT entende que a lei 9294 deve ser cumprida até que o fumo seja totalmente excluído de lugares coletivos e fechados, passando a ser permitido apenas em áreas abertas. Por Clarissa Homsi, Coordenadora da Área Jurídica da ACTbr

O caminho das pedras

Monica | Notícias | Terça, 12 de Fevereiro de 2008

A Organização Mundial da Saúde divulgou um novo relatório onde destaca a importância de que os países adotem ou ampliem políticas de controle do tabagismo. Há uma previsão de que 1 bilhão de mortes associadas ao fumo ocorram neste século, caso não sejam reduzidos os índices de consumo.

Seis medidas básicas são indicadas:
1- Monitorar prevalência e medidas de prevenção ao uso do tabaco
2- Proteger as pessoas contra a fumaça do tabaco
3- Oferecer ajuda para cessação
4- Advertir sobre os riscos à saúde
5- Proibição de propaganda, promoção e patrocínio por empresas de tabaco
6- Aumentar preços e impostos sobre produtos de tabaco

No Brasil já temos iniciativas importantes mas muito ainda deve ser feito. Cabe a nós acompanhar e cobrar pela implementação de medidas de controle do tabagismo. Em outro dia vou comentar um pouco mais sobre cada um dos itens acima e de que como estão sendo conduzidos por aqui…até lá!

Depoimento

Monica | Vamos Parar | Quinta, 7 de Fevereiro de 2008

Tinha acabado de escrever o texto abaixo quando tive contato com um blog de uma pessoa que está parando de fumar e colocou lá seu depoimento (post de 06/02/2008). Vale conferir e apoiar! Acessem: www.anakeunecke.blogspot.com

Estágios de motivação

Monica | Vamos Parar | Quinta, 7 de Fevereiro de 2008

Apoio 1 2 - Apoio 1 2

Em tratamento do tabagismo é frequente a alusão aos estágios de motivação para a mudança e vou falar um pouco deles hoje. A palavra motivação vem da raiz latina que significa “mover”, e é uma tentativa de compreender o que nos move ou por que fazemos o que fazemos (Wade e Tarvis, 1992). Hoje se reconhece o papel fundamental da motivação do indivíduo para a superação de comportamentos aditivos, como o tabagismo. “É a tenacidade do indivíduo na busca de seu objetivo o que constitui um fator crucial no sucesso a longo prazo” (Davidson, 1997)

Observo claramente isto ao acompanhar o tratamento de fumantes e também ao ler e ouvir depoimentos de pessoas que param de fumar e mantêm a abstinência; mesmo que às vezes no início atribuam os louros desta conquista a fatores externos, em determinado momento há a percepção de que tudo isto depende (e muito) da atitude e persistência pessoal para que se mantenha a abstinência a longo prazo.

E o próprio fumante parece sentir quando de fato a decisão é pra valer, e se esforçará por mantê-la a despeito das dificuldades (pois elas virão). Lendo outros blogs, como o da Mary, Ferro, Vinho, Freja, Claudio, vejo isto também. O apoio mútuo é uma força a mais, sem dúvida alguma.

É preciso lutar às vezes com as tentações, lembranças, ou pensamentos derrotistas. Quem de fato ajuda tenta dar uma força para desatar estes “nós” e resgatar a motivação/determinação que são necessárias à manutenção da abstinência.

Prochaska e DiClemente (1983) são estudiosos que propuseram um modelo de estágios para a mudança que tem sido muito utilizado. Uma das principais contribuições do estudo foi realmente destacar a importância de considerar a motivação e apoiar seu desenvolvimento quando necessário.

São citados 5 estágios, brevemente descritos a seguir:
- Pré-contemplação - Etapa em que a pessoa não tem intenção de mudar em um futuro próximo (dentro de 6 meses), geralmente mostrando-se indiferente ou resistente a propostas em contrário. Ex: Gosto de fumar e não quero parar.
- Contemplação - Já há intenção de mudar, mas num prazo ainda indefinido. Ex: Quero parar de fumar, estou pensando nisto, mas não sei bem quando ou como.
- Preparação - Há desejo de mudar num futuro próximo, dentro de 1 mês mais ou menos, e já se realizam algumas ações visando este objetivo. Ex: Já diminui o número de cigarros, estou buscando informações que possam me ajudar (lendo blogs, hehe), pretendo parar logo.
- Ação - É tomada a iniciativa de abandono do tabagismo. Ex: Já não estava fumando em casa, daí resolvi parar de vez ou Iniciei um tratamento e estou sem fumar.
- Manutenção - Etapa em que o objetivo é manter a abstinência, enfrentar as dificuldades e consolidar as conquistas. Ex: Não é fácil, mas estou decidido e não quero retroceder.

O objetivo óbvio é alcançar o estágio de manutenção, seja por si só ou contando com o apoio de outras pessoas. É muito comum vermos fumantes no 2o estágio (contemplação), mas a mudança pode se processar rapidamente ao se analisar fatores que dificultam a decisão.