O Alcatrão

Monica | Vamos Parar | Sexta, 30 de Novembro de 2007

Todo mundo sabe que cigarro tem alcatrão. Mas nem todo mundo sabe de fato o que ele é. Coloco abaixo um link para quem quiser ver o alcatrão em sua forma pura (argh!). É do filme da garrafa de água que “fuma”.

Clique Aqui

O alcatrão é um resíduo tóxico, negro e viscoso composto por centenas de substâncias químicas, cerca de 40 delas comprovadamente cancerígenas. Provoca a obstrução das vias respiratórias e pulmões e colabora para a elevada toxicidade do cigarro, sendo co-responsável pelas diversas doenças associadas a seu consumo.

Entre algumas substâncias contidas no cigarro, estão: arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, resíduos de agrotóxicos, substâncias radioativas, como o Polônio 210, além das citadas na ilustração abaixo:

toxicocor - toxicocor

Obs: Em relação ao artigo anterior:
- Claudio, me sinto tentada a concordar com você e confesso que às vezes me pergunto se realmente podemos confiar nas estatísticas! Mas independente dos números exatos, sabemos que de fato é difícil parar de fumar, é fácil recair nos primeiros meses, mas de qualquer forma com persistência é possível vencer o tabagismo.
- E Freja, refiro-me ao atendimento precoce quando conseguimos atuar o quanto antes no tratamento do tabagismo, ou seja, não apenas com indivíduos extremamente dependentes, já com doenças tabaco-relacionadas, às vezes incapacitantes, como tantas pessoas que conheci em meu trabalho em hospitais. Vendo hoje os Programas de Cessação sendo aplicados não apenas nos hospitais, mas nas próprias empresas onde as pessoas trabalham, ou clínicas, com assistência médico/psicológica, podem se observar melhores índices de sucesso. E sim, as estatísticas de eficácia em geral são baseadas em grupos submetidos a tratamento, às vezes comparativamente à grupos controle ou com outro tipo de terapêutica.

Obrigada pela participação de tod@s, mais uma vez boas vindas aos novos visitantes do blog e futuros ex-fumantes:))

Eficácia dos tratamentos para tabagismo

Monica | Vamos Parar | Terça, 27 de Novembro de 2007

Existem muitos estudos que procuram avaliar a eficácia dos tratamentos para tabagismo. O Tabac (que fez um comentário sobre “gomas de mascar de nicotina”) parece ter desanimado quando viu que alguns falam em taxas muito baixas. O fato é que a dependência de nicotina é pesada mesmo, mas eu continuo sendo uma otimista incorrigível!

Bem, a maior parte das pesquisas repetem os dados de que entre os fumantes, no mínimo 70% deles pensa em parar de fumar. No Brasil, uma pesquisa da Datafolha (set/07) encontrou um número ainda maior: 83% querem largar o dito, sendo que 69% já tentou e não conseguiu.

Segundo dados do U.S. Depart Health and Human Services, dos que tentam parar de fumar, cerca de 75% recaem nos primeiros 6 meses e apenas 5% se mantêm abstinentes após 01 ano. Mas esta estatística muda quando há alguma ajuda, às vezes só ouvir uma recomendação do médico é suficiente para uma tentativa. Se esta tentativa for acompanhada de uso de medicamentos e apoio psicológico, o índice cresce.

Normalmente se considera o índice de abstinência após 01 ano, e não apenas logo após o tratamento. Isto porque o risco de recaída é alto, então para se avaliar o sucesso é preciso considerar um prazo razoável. Um programa de cessação de fumar é considerado efetivo quando se alcança a taxa de abstinência igual ou superior a 30% após 12 meses(mínimo de 25%).

Vários destes programas utilizam a TRN (Terapia de reposição da nicotina – inclui gomas e adesivos) com bons resultados, além de utilizarem também a opção da bupropiona e vareniclina. Hoje já se fala em perspectiva de 40% de abstinência após 01 ano com uso destas novas drogas, SEMPRE combinadas com alguma forma de apoio psicológico.

Tenho também acompanhado um tipo de abordagem que é muito promissora: a combinação de recursos e o atendimento precoce (ideal!). Com isto os índices de sucesso chegam a atingir mais de 50% após 01 ano. E com isto aos poucos vamos alcançando melhores condições para tratar o tabagismo.

E p/ quem chegou há pouco no blog e está sem fumar, força e conte com nosso apoio!

Como impedir o tabagismo na adolescência?

Monica | Vamos Parar | Sexta, 23 de Novembro de 2007

Há algum tempo escrevi este artigo a pedido do Jornal de debates (on line) que reproduzo hoje aqui:

“Mais do que impedir, a pergunta é: como evitar a iniciação pelo adolescente? Tempos atrás, o cigarro era objeto de desejo, glamourizado no cinema, nas propagandas, símbolo de independência e sedução, um estímulo e tanto para os jovens! O curioso é que atrás da atitude de auto-afirmação e aparente liberdade de escolha estava um minucioso jogo de manipulação, onde o objetivo era justamente ampliar o mercado de venda de cigarros através da conquista dos jovens, usuários fiéis e a longo prazo, de um produto que vicia e na verdade nada tem de glamouroso.

Só o fato de trazer isto à tona já ajuda, pois ninguém gosta de se sentir enganado e manipulado. Mas agora as estratégias de marketing estão mais sofisticadas, apesar do objetivo dos fabricantes ser o mesmo: vender seu produto. Assim, como dito em outro comentário, um ponto importante é não deixar de responsabilizar os fabricantes e ampliar as restrições já existentes ao marketing, mesmo indireto.

Outro ponto a discutir é o acesso aos cigarros, tanto pela proibição de venda a menores — que tantas vezes é descumprida — como pelo preço do maço no Brasil, um dos menores do mundo. Além disso, o visual atraente, com caixinhas de metal para colecionar, à altura dos olhos, tudo favorece a curiosidade e a facilidade de acesso pelo jovem.

As fases de experimentação e de vivência de novas emoções, com as angústias e incertezas desta etapa, trazem sim o risco da busca de satisfação através das drogas. Não é à toa que a maior parte dos fumantes tenha iniciado o tabagismo na adolescência, mas o que muitos deles não prevêem é que vão seguir fumando por mais uns 30 anos, apesar de achar que param quando quiserem. É quase como uma escolha de carreira!

E o pior é que se descobre depois que este prazer é fugaz, as angústias da vida não desaparecem ao fumar, e a saúde cobra seu preço. O jovem pode evitar o tabagismo sendo bem informado e participante.”

obs: a propósito, Tabac, gostei de sua sugestão de pauta, está anotada!

Tenho vontade de parar novamente mas queria não sofrer… será possível?

Monica | Vamos Parar | Quarta, 21 de Novembro de 2007

Vou usar a última frase do comentário da Michelle (em Inauguração do Blog Vamos Parar) para falar sobre esta delicada questão: dá para parar de fumar sem sofrer?

Acho que a Michelle tocou na ferida, pois muitos fumantes querem parar mas acham que não vão aguentar ficar sem o cigarro. E isto às vezes ocorre por uma experiência anterior, mal-sucedida, ou por medo mesmo sem ter tentado antes.

Em minha prática de trabalho com fumantes, vejo às vezes algumas pessoas que parecem conseguir parar com pouco ou quase nenhum sofrimento, em geral em tratamento especializado, e aí a gente tem até que alertá-los para que o excesso de confiança não os coloque em risco.

Mas o fato é que, de modo geral, há sofrimento sim ao parar de fumar. Uma pessoa que acompanhei dizia isto: “queria tanto não gostar mais de fumar, queria tanto que o remédio me fizesse não sentir falta do cigarro, mas ainda sinto”

Seria ótimo mesmo se houvesse esta pílula mágica, não? Algo que não exigisse quase nenhum esforço pessoal e funcionasse para todos igualmente, mas não é assim. Mesmo o top dos remédios nesta área não funciona igual para todos, e não livra a todos de um período de certo sofrimento, mas talvez mais de adaptação, já que nem todas as mudanças são ruins, têm vários ganhos que são sentidos rapidamente ao largar o cigarro.

Particularmente, acho que o melhor nesta hora é enfrentar. Aceitar que isto faz parte do processo e não é insuportável ou invencível. Buscar ajuda se necessário, mas não esperar que o outro possa fazer tudo por você (seja um remédio, um profissional, uma nova técnica). Um texto que pode ajudar nesta hora é aquele da borboleta, vcs conhecem?

borboleta06 1 - borboleta06 1

A lição da borboleta

“Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo e um homem ficou observando o esforço da borboleta para fazer com que o seu corpo passasse por ali e ganhasse a liberdade. Por um instante, ela parou, parecendo que tinha perdido as forças para continuar. Então, o homem decidiu ajudar e, com uma tesoura, cortou delicadamente o casulo. A borboleta saiu facilmente. Mas, seu corpo era pequeno e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observar a borboleta porque esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e ela saísse voando. Nada disso aconteceu. A borboleta ficou ali rastejando, como corpo murcho e as asas encolhidas e nunca foi capaz de voar!

O que o homem, em sua gentileza, em sua vontade de ajudar, não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário para a borboleta passar através de sua pequena abertura, era o modo com que a natureza agia para que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de modo que ela estaria pronta para voar, uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é tudo o que precisamos na vida. Se Deus nos permitisse passar pela vida sem obstáculos, não seríamos como somos hoje. Não seríamos tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.”

Cigarro e sexo

Monica | Vamos Parar | Segunda, 19 de Novembro de 2007

Apesar de existir gente que acha que cigarro e sexo combinam (tem até uns extremistas que fazem malabarismos com o cigarro e sugerem posições sexuais com ele, bizarro!), na verdade hoje se sabe que o cigarro pode atrapalhar (e muito) o desempenho sexual e a capacidade reprodutiva.

Falando hoje mais especificamente dos homens, um estudo elaborado por pesquisadores da BMA (Associação Médica Britânica), estima que 120 mil britânicos entre 30 e 50 anos sofrem de problemas de disfunção erétil em razão do consumo de tabaco. “Os homens que querem desfrutar de sua vida sexual devem evitar os cigarros, já que o tabaco está na origem de inúmeros casos de impotência masculina”, disse Vivienne Nathanson, membro da BMA.

Além disso, o fumo, com o passar dos anos, estabelece um declínio na capacidade reprodutiva masculina de maneira progressiva. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Andrologia do Centro para Medicina Reprodutiva, nos EUA, o tabagismo pode causar deterioração da qualidade do esperma. Isto inclui menor concentração de espermatozóides, decréscimo da motilidade, morfologia e efeito potencial na função espermática, além das alterações nos níveis hormonais e alteração no DNA dos espermatozóides.

A boa notícia é que um estudo da Associação de Planejamento Familiar de Oxford, Inglaterra, observa um retorno da fertilidade em ex-fumantes, o que pode ser mais uma importante razão para o abandono do cigarro.

Ainda assim, uma outra pesquisa, entre mais de 2 mil fumantes na Europa mostrou que a maioria deles prefere ficar sem sexo a ter que parar de fumar (pois é!). A pesquisa mostra que 80% dos ingleses, 70% dos holandeses, franceses e alemães e 55% de belgas e espanhóis deixariam de manter relações sexuais por um mês sem problemas, mas nunca conseguiriram passar o mesmo período sem fumar. Bom, e aqui no Brasil, será que os resultados da pesquisa seriam os mesmos?

O que fazer com a ansiedade?

Monica | Vamos Parar | Quarta, 14 de Novembro de 2007

Ansiedade 1 - Ansiedade 1

Ao parar de fumar, é comum as pessoas falarem que ficam muito ansiosas, irritadas, brigam à toa, a ponto de até ouvirem às vezes: do jeito que você está, é melhor fumar! Cuidado: não é melhor não!

O fato é que a ansiedade e irritabilidade fazem parte dos sintomas de abstinência e VÃO PASSAR. Mas é uma boa chance de você tentar enfrentar pela primeira vez este tipo de sentimento sem fumar! Isto porque aposto que fumava ao se sentir assim antes, e daí agora ter a sensação de não saber o que fazer com isto.

Então, calma, tente se preparar e pensar o que pode te ajudar nesta hora. A velha opção de respirar fundo e contar até dez pode parecer uma bobagem, mas não é. Só de respirar fundo algumas vezes, a gente equilibra uma função importantíssima e alivia o stress.

Procure identificar o que está te deixando tenso e não culpe só a falta de cigarro: às vezes os acontecimentos do dia interferem e aí é bom discriminar: posso fazer algo para resolver isto? Ou preciso aceitar, me adaptar? Com esta atitude de reflexão a gente encara o problema de frente e não mais através da cortina de fumaça do cigarro.

E use tudo o que puder lhe ajudar. Gosta de música? Ligue o rádio, leve consigo um Ipod (não tem? participe do Concurso de Vídeos da ACTbr que vc pode ganhar :) ); Gosta de plantas? É hora de cultivá-las. Nunca meditou? Experimente; Sabe fazer tricô? Trabalho manual ajuda, além dos esportes, exercícios de relaxamento, etc, etc.

Para quem deixar de fumar com tratamento médico/psicológico em geral a ansiedade é menor, mas de qualquer forma pode ocorrer, afinal é um novo aprendizado viver sem o cigarro e conseguir lidar com as emoções sem ele.

A fissura por fumar, que é comum e se refere aquele momento de muuuuita vontade, em geral é intensa mas rápida; se você conseguir driblá-la, verá que dura no máximo 5 minutos, e aos poucos vai sendo vencida.

De repente você pode até se surpreender, descobrir que pode ser até mais calmo e feliz sem o cigarro, largando junto o fumo e a amargura que vem com ele.

Mulheres fumantes são as mais insatisfeitas com seu corpo

Monica | Vamos Parar | Terça, 13 de Novembro de 2007

A maioria das mulheres que não deixa de fumar por medo de engordar está distante de ter sua imagem de corpo ideal, segundo um estudo da Universidade de Michigan divulgado agora em novembro (New York Times).

A pesquisadora Cindy Pomerleau, principal autora do estudo e diretora do Laboratório de Pesquisa da Nicotina na universidade, afirmou no estudo que estas mulheres são mais propensas às dietas e aos excessos nas comidas que as que não fumam. “Não é surpreendente que as mulheres que têm problemas com seu peso ou não estão satisfeitas com seus corpos se sintam atraídas pelo tabaco”, afirmou em comunicado Pomerleau.

A idéia de que fumar ajuda a reduzir o apetite ainda é sedutora, sobretudo num contexto social que privilegia tanto a magreza! Uma pesquisa realizada por Pomerleau há alguns anos indicou que 75% das fumantes não estão dispostas a ganhar mais de 2,25 quilos se deixarem de fumar, e quase a metade delas disse que não toleraria aumento de peso algum, o que se formos pensar é uma auto-exigência muito grande.

É esperado que haja certo ganho de peso ao parar de fumar, em torno de 2kg, seja por alterações metabólicas ou mesmo por mudanças na ingestão de alimentos (novo sabor pode elevar o consumo, mas ainda mais frequente é a busca da satisfação ou alívio do desprazer através da comida - aí o risco é de um ganho de peso maior).

“O problema aqui é conseguir que as mulheres preocupadas com seu peso estejam dispostas a fazer a tentativa de deixar o cigarro, e depois ajudá-las a que alcancem um certo controle sobre seu peso”, afirmou a pesquisadora. E se a preocupação é estética, vale lembrar que o tabaco causa muitos danos na aparência dos fumantes, tais como rugas na pele, perda de cabelo, enfraquecimento das unhas, coloração amarelada dos dentes e mau hálito.

Daí a dica da fisioterapeuta e integrante da ACTbr, Elizabeth Feres, que indica iniciar a prática de atividades físicas ao parar de fumar: “elas estimulam mecanismos de liberações de substancias (serotonina,endorfina,dopamina,outras) que promovem sensação de bem estar,diminuindo os sintomas da sindrome de abstinência e ajudando a controlar o peso”.

Balada sem fumaça

Monica | Notícias | Sexta, 9 de Novembro de 2007

Você é a favor ou contra?

Tudo mundo sabe que em casas noturnas é comum as pessoas fumarem à vontade. Para o fumante, é difícil não fumar se estiver bebendo, vendo outras pessoas fumarem, aí em geral se perde a conta dos cigarros fumados. Até quem não fuma ou não gosta muito de fumar acaba se rendendo, como li numa revista deste mês que entrevistou jovens sobre temas diversos: “até nem gosto muito de cigarro, mas na balada não tem jeito, todo mundo fuma”

Parece um assunto polêmico porque o fumante não quer ser restringido, o não-fumante não quer ser obrigado a respirar fumaça, e muitos ainda não sabem se é tão importante assim se preocupar com isto. Para quem trabalha nestes locais não tem muito jeito: não é opção para o garçom sair dali, a menos que esteja mudando de emprego!

Mas este assunto na verdade só é polêmico para quem não acompanha muito os fatos e na verdade a maior parte das pessoas apóia a idéia de que é plenamente possível sair para fumar em áreas abertas e assim preservar o ar em locais fechados de uso coletivo, inclusive os próprios fumantes. Num primeiro momento isto pode gerar certo desconforto, encarar que a fumaça faz mal mesmo, além de incomodar. Mas vejam, quem faz mal e incomoda é a fumaça do cigarro, não o fumante!!! Daí a gente não poder confundir as coisas, nem do lado de quem não fuma, nem do lado de quem fuma…

Sobre este assunto cerca de 50 organizações (entre elas a ACTbr) manifestaram-se a favor de um aperfeiçoamento da Lei 9294/96 e o documento produzido foi entregue à autoridades nesta semana em Brasília. Se quiserem conhecê-lo na íntegra, acessem o site (www.actbr.org.br), no que se refere à Carta do Fórum.

Para quem quiser participar da campanha como pessoa física, veja também no site o ícone da “Petição de Apoio para o aperfeiçoamento da Lei da 9294/96″, assine e envie para a ACTbr até o dia 20 de novembro. Para quem está deixando de fumar, será uma tentação a menos poder sair e não estar o tempo todo lembrando do cigarro…

Mais alguns Mitos e Verdades…

Monica | Vamos Parar | Segunda, 5 de Novembro de 2007

O ex-fumante pode ser apenas um fumante ocasional, se quiser.
Mito! O risco de voltar a ser dependente é muito elevado. Neste caso é parecido com o alcoólatra, dificilmente o fumante conseguirá fumar só de vez em quando, ou socialmente. Pode até fazê-lo por um tempo, mas em geral retorna ao consumo diário.
“Evite o 1º cigarro, que você evitará todos os outros”.*Inca, 1997

Cigarro de palha não faz mal pois é um produto natural
Mito! A palha não permite a passagem de ar, tornando as tragadas mais intensas e concentradas. * Paulo C R Correa, médico pneumologista e integrante da ACTbr, em entrevista de 2006.

Filhos de fumantes têm mais chances de se tornar fumantes
Verdade!Seja por fatores associados a modelo comportamental ou constitucionais, filhos de pais fumantes têm maior risco de tornarem-se fumantes.* Guia Nacional de Prevenção e Tratamento do Tabagismo, 2001

Se o pulmão estiver “limpo” significa que a pessoa pode ainda fumar, se quiser.
Mito! Apesar de ser um órgão bastante vulnerável ao tabagismo, apenas o pulmão não revelará o grau de comprometimento da saúde pelo fumo. Lembre-se que as substâncias tóxicas circulam através da corrente sanguínea e podem atingir diversos órgãos do corpo humano.

Para ter alguma doença por causa do cigarro é preciso ter mais de 40 anos
Mito! Fumantes na 3ª ou 4ª década de vida apresentam 5 vezes mais chances de morrer de infarto do miocárdio, se comparados a não-fumantes.* SBC/Funcor, 2002

Fumar apenas em 01 cômodo da casa não incomoda os outros
Mito!A fumaça fica disseminada no ambiente. Quem tem um fumante em casa está 4x mais exposto ao fumo passivo do que aqueles que não convivem com o tabaco.* SBC/Funcor, 2002

Após várias tentativas que não deram certo, é melhor desistir de parar de fumar
Mito! Estudos revelam que geralmente é necessário mais de uma tentativa para o alcance de abstinência. Vale tentar novamente!

E às pessoas que já estão conseguindo, parabéns, continuem firme e contando com a gente!

Goma de Mascar de Nicotina

Monica | Vamos Parar | Quinta, 1 de Novembro de 2007

Olá! Para quem quer saber um pouco mais sobre os métodos que ajudam a parar de fumar, vamos falar hoje sobre a goma de mascar de nicotina (finalmente, né , Henrique! :) Sua pergunta não foi esquecida)

Quem escreve é o Dr. Montezuma Ferreira, que já participou de outro artigo aqui com a gente, com alguns comentários meus (em itálico):

A goma de nicotina tem duas apresentações: 2 e 4 mg. Há, também, dois sabores: tradicional e menta.
Quem fuma menos de 20 cigarros deve usar a goma de 2 mg, quem fuma 20 cigarros ou mais deve usar a goma de 4 mg. Se for necessário usar mais do que 15 unidades, pode ser preferível mudar para a goma de 4 mg. Não se deve usar mais do que 24 gomas por dia (este é o máximo, mas em geral se consome bem menos, entre 03 e 10 gomas ao dia).

Como usar?
O uso da goma começa, normalmente, logo que se pára de fumar. Um esquema de dosagem sugerido é o seguinte:
•Semanas 1-6: 1 goma a cada 1-2 horas
•Semanas 7-9: 1 goma a cada 2-4 horas
•Semanas 10-12: 1 goma a cada 4-8 horas
Se necessário, pode-se prolongar o uso da goma por mais algumas semanas (depois disso deve ser interrompida).

A goma deve ser usada a intervalos regulares e não apenas quando vem a vontade de fumar. Quando a vontade de fumar é intensa ou freqüente, pode-se usar uma goma extra entre os horários programados.

Não beber nem comer por 15 minutos antes e durante o uso da goma. Diversos alimentos podem acidificar a mucosa oral e isto pode impedir a absorção de nicotina.

Lembrete: a goma de nicotina é um pouco diferente de um chiclete comum. Ela deve ser mascada lentamente, até que se sinta um gosto forte ou um leve formigamento ou anestesia na boca. Então, ela deve ser estacionada entre a gengiva e a bochecha até que o sabor desapareça. Aí, o ciclo de mascar e estacionar recomeça. A goma deve ser mascada até que não haja mais sabor, o que leva cerca de 30 minutos, depois deve ser desprezada.

Quem pode usar?
De um modo geral, a goma de nicotina tem poucos efeitos colaterais. Os mais comuns são irritação da boca ou da garganta, azia e dor na mandíbula. Normalmente, estes efeitos colaterais são passageiros e melhoram com a correção da técnica de mascar. Um problema relatado por algumas pessoas diz respeito ao sabor, horroroso, mas nem todos acham isso e afinal, é a nicotina pura, gente, sem tantos disfarces como no cigarro.

O uso da goma de nicotina ainda não está bem testado em fumantes de menos de 10 cigarros por dia e em adolescentes. Embora estes grupos possam se beneficiar do uso da goma, pode ser necessário ajustar a dose. A goma não deve ser usada nas seguintes situações:
- infarto do miocárdio recente (< 3 semanas)
- angina instável
- arritmias cardíacas instáveis
Isto por que a nicotina, além de ser responsável pela dependência, tem ação sobre o sistema cardiovascular.

Portadores de asma ou de bronquite podem precisar reajustar a medicação (teofilina, por exemplo) ao parar de fumar. Gestantes devem tentar parar de fumar sem usar a goma ou outra medicação. No entanto, caso isto não seja possível, o uso da goma de nicotina pode ser preferível a continuar fumando. Portadores de depressão devem ficar atentos à possibilidade de recaída ao parar de fumar.

É isso por hoje, bom dia p/ todos(as) e continuem dando notícias, mandando dúvidas ou manifestando seu apoio p/ quem está parando de fumar!