O que é Bup?

Monica | Vamos Parar | Terça, 30 de Outubro de 2007

Olá! Vi que algumas pessoas comentaram aqui no blog sobre o Bup e hoje recebi também uma pergunta sobre o preço dele. Então lá vai uma explicação rápida.

Bup é o nome comercial de um medicamento, o cloridrato de bupropiona, que tem sido usado em controle do tabagismo. Custa por volta de R$55,00 a caixa com 30 comprimidos (R$110,00 c/60cps).

Na verdade, o Bup é um similar ao Zyban, que talvez já tenham ouvido falar (em torno de R$88,00 a caixa com 30 cps). Com o mesmo princípio ativo existem outros 02 remédios além dos já mencionados (Zetron e Wellbutrin).

Todos eles são na realidade antidepressivos, que a partir de pesquisas se constatou que tinham um efeito de auxiliar no abandono do cigarro. São remédios que SOMENTE DEVEM SER UTILIZADOS COM PRESCRIÇÃO MÉDICA. Algumas pessoas não podem fazer uso deles, e então é necessário fazer uma consulta médica para avaliar o melhor para cada um.

Como já mencionado aqui no blog pelo Dr.Montezuma, existem também outras opções que estão sendo usadas com bons resultados. Logo teremos outros textos falando um pouco mais sobre como funcionam.

E lembre-se: pílula mágica não existe! Em cessação do tabagismo sempre será muito importante a decisão pessoal, motivação, mudança de hábitos e atitudes, o remédio não faz tudo sozinho!

Propagandas de cigarros

Monica | Vamos Parar | Segunda, 29 de Outubro de 2007

Quem não se lembra das fantásticas propagandas de cigarro que eram veiculadas na TV, todas com jovens, esportes radicais, músicas empolgantes e belas mulheres?

Revi ontem uma destas em que o alpinista fumante escalava um paredão de gelo e ao chegar ao pico fumava seu cigarrinho. Vejam o absurdo da coisa: quem é fumante sabe que o fôlego diminui aqui embaixo mesmo, imagine com o ar rarefeito então!

Mas no detalhe a gente não pensa quando assiste, e sem dúvida eles sabiam como atrair a atenção, o desejo, e aí para começar a fumar era um pulo. Muita gente começou a fumar influenciada por isto, por artistas de cinema, ou por amigos que queriam também viver o mundo de Marlboro, não ter limites como nos anúncios do Hollywood ou simplesmente porque tinham algo em comum, como no Free. É um jogo de marketing impressionante, sedutor mesmo, de tirar o chapéu.

E agora que está proibido? Na verdade a indústria de tabaco continua querendo vender seu produto, mas usa estratégias de marketing indireto e abusa da tentativa de se mostrar como uma empresa socialmente responsável (lobo em pele de cordeiro).

Olha só a matemática: a Imperial Tobacco gasta 2 milhões de dólares canadenses por ano em eventos de artes, e 40 milhões para divulgar isto!*

Não sejamos ingênuos de acreditar que houve de fato uma mudança por parte da indústria do tabaco. Para quem já é fumante, perceber que foi ludibriado é ruim, vem junto com uma sensação de “que trouxa eu fui de achar aquilo bonito”, agora para quem não fuma isto pode ser o divisor de águas: se tenho consciência de que é a boa imagem é só uma fachada, tenho mais força para dizer não ao cigarro e a toda a manipulação das pessoas que está por trás do marketing do fumo.

*Fonte: Doações da Indústria do Tabaco: Aceitar dinheiro da indústria do tabaco ajuda a vender mais cigarros e custa mais vidas, Monteiro, A., RTZ/ACTbr, 2005.

Chove, chuva…

Monica | Vamos Parar | Quinta, 25 de Outubro de 2007

Pois é, num dia como este não dá para ficar muito inspirado… mas pelo blog vale a pena, vamos lá!
Recebi notícias da Sonia, que continua sem fumar (20 dias, yes!), e torço para que os demais amigos (as) do blog também estejam vencendo o tabagismo.
Tem um amigo meu que levou um susto, precisou ser operado do coração e com isto parou de fumar. Mas… depois de um tempo achou que cachimbo não era tão ruim, afinal não se traga, é menos frequente, etc, e assim eu soube que está pitando de novo.
Desculpe ser estraga-prazeres, mas sinto informar que cachimbo também não é saudável, assim como o charuto, cigarro aromático, narguillè (escrevi certo?). Enganam pois parecem mais naturais, artesanais, mas no fundo fazem um belo estrago no organismo.
Mesmo sem tragar o fumante inala a fumaça que é tóxica, além de ter contato direto com as substâncias através da mucosa bucal. Boa parte deles não têm filtro e outros usam tipos de tabaco com mais nicotina e alcatrão. Assim, não são bons substitutos. Acho que o melhor é fazer como a Alexandrina, que trocou a nicotina pela endorfina ao começar a correr, quem quiser saber mais veja também o blog dela que está nos links ao lado.
E ainda torço para o meu amigo desistir do cachimbo! E ele é médico… mas é como costumo dizer: na maior parte das vezes já era fumante e dependente antes mesmo de entrar na Faculdade. Bye…quem sabe com um solzinho amanhã.

Mito ou Verdade?

Monica | Vamos Parar | Quarta, 24 de Outubro de 2007

1-Cigarro é droga?
Verdade! Cigarro é uma droga poderosa, apesar de ser um produto lícito. O potencial de abuso da nicotina é tão grande quanto o da cocaína e heroína*. (*Focchi, GRA, 2003)

2-Com insistência se convence o fumante a parar de fumar
Mito! A insistência pode tornar-se frustrante para quem a realiza e para quem a recebe. Expresse seu desejo mas lembre-se de que para largar o cigarro o fumante também deve desejar fazê-lo

3-Fumante que não consegue parar não tem força de vontade
Mito! A força de vontade é fundamental, mas mesmo quem a tem pode ter dificuldade para parar de fumar em função do grau e características da dependência.

4-Não dá para interromper o tabagismo se a pessoa ainda gostar de fumar
Mito! É possível deixar de fumar mesmo com a presença de ambivalência por parte do fumante. Técnicas motivacionais e análise crítica auxiliam no alcance de abstinência.

5-Parar de fumar usando adesivo ou remédio é trocar 6 por meia dúzia, ou seja, só está se trocando de droga
Mito! O uso de medicamentos no tratamento do tabagismo, quando realizado adequadamente e com orientação especializada, é temporário e não gera dependência

6-Parar de fumar pode levar a pessoa a engordar
Verdade! Alterações metabólicas podem ocasionar ganho de peso após a parada, em média de 2 a 4kg*. O ganho excessivo pode estar relacionado a fatores como ansiedade, compensação e melhora do paladar. (*Inca, 2001)

7-Mulheres têm mais dificuldade para parar de fumar do que os homens
Verdade! Apesar de buscarem mais o tratamento, as mulheres podem apresentar mais dificuldades de parar de fumar do que os homens*.(*Dados de pesquisa do Incor, SP, 2003)

8-Para o jovem é mais fácil parar de fumar
Mito! A dependência impede que o tabagista pare com facilidade. Menos de 2 entre 5 jovens fumantes que acreditam parar em 5 anos realmente o fazem*.(*Dados Banco Mundial, 2000)

9-Cigarro é porta de entrada para outras drogas
Verdade! Seja por vulnerabilidade pessoal ou facilitação de acesso, observou-se que o uso de tabaco eleva em 3 vezes o risco relativo de oportunidade de uso de maconha, que por sua vez eleva em 5 vezes o risco relativo de oportunidade de uso de cocaína*. (*Nicastri,S,Cong.Int.Prev.Tab, 2002)

10-Mulheres que fumam e tomam pílula anticoncepcional têm maior risco de adoecer
Verdade! “Pílula anticoncepcional e cigarro são uma verdadeira bomba-relógio no corpo feminino”; esta associação aumenta muito o risco de doenças como Infarto e AVC (derrame)*.(*Rosemberg,A, 2002)

Curtinhas sobre cigarro e meio-ambiente

Monica | Vamos Parar | Segunda, 22 de Outubro de 2007

mil  nio - mil  nio

Quanto mais a gente se aprofunda no assunto, mais vai descobrindo sobre os efeitos do fumo e não só diretamente sobre a saúde das pessoas, mas também sobre a saúde do planeta.

Vejam só:
- 12% das árvores cortadas anualmente no mundo destinam-se à produção de cigarros (OMS,1997)
- A madeira é utilizada para confecção do papel que embala o cigarro, além de se utilizar lenha para secagem das folhas de tabaco
- Para cada kg de tabaco usa-se 25kg de lenha nos fornos de secagem*
- Para cada 300 cigarros produzidos, é necessário derrubar uma árvore. Isto significa que um fumante que consome 30 cigarros ao dia (01 maço e meio) derruba uma árvore a cada 10 dias (!!!)
- Cigarros são também responsáveis por incêndios e poluição do ar, sendo que a poluição tabagística ambiental é considerada pela Organização Mundial da Saúde como o principal agente poluidor de ambientes fechados
- Além disso, há o uso extenso de pesticidas na cultura do tabaco e o acúmulo de lixo por bitucas do cigarro (poluição de 20 bitucas equivale a 1litro de esgoto - em 3km de praia em Santa Catarina, foram retirados 200kg de lixo só de bitucas de cigarros)*

*Dados apresentados pelo Prof.Dr. Aristides de Almeida Rocha, da Faculdade de Saúde pública da USP, em evento da ACTbr/ADESF/CETESB, em agosto de 2007.

O fantasma da RECAÍDA!!

Monica | Vamos Parar | Sexta, 19 de Outubro de 2007

Por Silvia M. Cury Ismael, integrante da ACTbr, Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP e Coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital do Coração, em São Paulo.

Todo fumante tem receio de primeiro não conseguir parar de fumar e se parar tem medo de recair. Devemos encarar a recaída como um aprendizado no processo de cessação do cigarro. Cada recaída deve ser analisada no sentido de verificar o que levou a mesma a ocorrer.

Alguns exemplos mais comuns são: “fiquei sem fumar por 7 anos, aí estava em uma roda de amigos e achei que pegar um cigarro não faria mal. Fumei um e estou fumando de novo até hoje”; ou “fiquei muito nervoso e a primeira coisa que pensei foi no cigarro.”

O fumante tem que tomar cuidado com o prazer de fumar que pode fazê-lo recair e com o estresse que vem de situações onde ele não sabe lidar com a ansiedade. Portanto, aí vão algumas dicas:
- saber lidar com o estresse diminui a chance de recaída
- esteja atento às situações prazerosas associadas ao ato de fumar
- se estiver parando de fumar prefira ficar em áreas para não fumantes
- cuidado com a ligação bebida alcóolica e cigarro
- evite estar em locais que antes era “gostoso” fumar

MAS LEMBRE-SE: SE VOCÊ RECAIR NÃO FAZ MAL. TENTE DE NOVO QUE VOCÊ CHEGA LÁ!!

Pequenos Prazeres

Monica | Vamos Parar | Quinta, 18 de Outubro de 2007

Ouvi esta semana de um ex-fumante recente: “Estou conseguindo mas não é fácil; me apego ao que já estou sentindo de bom ao parar, mas as lembranças boas do cigarro também são muitas. Penso na minha saúde, mas parece tão distante que o pulmão vai ficar limpo daqui há dez anos!”

Pensando nisto, resolvi fazer uma lista dos pequenos prazeres que os ex-fumantes sentem mais rapidamente ao largar o cigarro, para ajudar a manter esta decisão. Quem tiver sua contribuição a dar, mande um comentário e vamos fazer crescer a nossa lista!

Pequenos prazeres ao parar de fumar:
1-O cheiro (I) – este item merece mais de um, pois é muito significativo! Ex-fumantes se surpreendem ao passar a sentir mais o cheiro das coisas, inclusive da fumaça do cigarro de outros fumantes, antes imperceptível. “Será que eu também cheirava assim?” é uma pergunta freqüente.
2-O cheiro (II) – uma ex-fumante: “Lavo roupa todo dia e sabe que só agora pude sentir o cheiro do sabão em pó? E o shampoo, então, é o máximo!”
3-O cheiro (III) – “Estou ganhando mais beijos e abraços da minha neta, agora ela diz que estou gostoso de beijar”
4-As mãos, uma nova descoberta! Por um lado pode parecer meio estranho no começo não saber o que fazer com as mãos, mas logo se descobre que elas têm mil e uma utilidades. “Usar as duas mãos ao mesmo tempo facilita tudo” ou “Pela 1ª vez na vida dirigi do jeito certo, com as duas mãos ao volante”
5-O sabor da comida – “Até o nuggets ficou uma delícia” (para mim é incrível esta – detesto nuggets)
6-Subir a ladeira sem perder o fôlego
7-A liberdade de não mais TER QUE SAIR a cada tanto de tempo para fumar.
8-Poder dizer: NÃO FUMO MAIS – vitória das vitórias! Nada como renovar as forças e sentir-se livre, além do enorme prazer de ter sido capaz, um afago e tanto no ego.

Medicamentos para ajudar a parar de fumar

Monica | Vamos Parar | Quarta, 17 de Outubro de 2007

Vamos contar hoje com a participação do Dr.Montezuma Pimenta Ferreira, do Instituto de Psiquiatria do HC FMUSP e também integrante da ACTbr. A idéia é fazermos um panorama geral do que existe para o tratamento do tabagismo e aos poucos vamos inserindo informações mais detalhadas sobre cada um dos métodos disponíveis. Então lá vai:

Existem diversos medicamentos de eficácia comprovada para o tratamento do tabagismo. E, ao contrário do que muita gente pensa, eles não servem apenas para os fumantes com dependência grave. Na verdade, a literatura científica nos ensina que “exceto em circunstâncias especiais, todo paciente que esteja tentando parar de fumar deveria ser encorajado a usar tratamentos farmacológicos efetivos para a cessação do tabagismo” (1).

Isto porque, de um modo geral, o uso de medicação duplica a chance de sucesso ao tentar largar os cigarros.

Os medicamentos comprovadamente eficazes para tratar o tabagismo são os seguintes:
•(reposição de) nicotina: goma de mascar, sistemas transdérmicos (adesivos), pastilhas, vaporizador (“inhaler”) e spray
•bupropiona
•vareniclina
•nortriptilina
•clonidina

Entre as pessoas que requerem avaliação mais específica dos riscos e benefícios do uso de medicamentos para parar de fumar estão as grávidas e os portadores de doenças cardiovasculares instáveis. Além disto, o uso dos medicamentos acima ainda não está bem estudado entre os adolescentes.

No Brasil, apenas a goma de mascar e os adesivos transdérmicos podem ser vendidos sem prescrição. Por isto, podem ser usados mesmo por fumantes que optem por parar de fumar sozinhos, sem acompanhamento profissional.

Embora sejam medicamentos seguros, a bupropiona, a vareniclina, a nortriptilina e a clonidina devem ser usados apenas com acompanhamento médico e sempre associados a um programa de apoio para deixar de fumar.

Referência:

1. Fiore MC, Bailey WC, Cohen SJ, et al. Treating Tobacco Use and Dependence. Clinical Practice Guideline. Rockville, MD: U.S. Department of Health and Human Services. Public Health Service. June 2000.

P.S: Henrique, aguarde que logo falaremos mais sobre a goma de mascar, ok? :)

Ilusão de ótica

Monica | Notícias | Terça, 16 de Outubro de 2007

Estava pensando num filme do Youtube sobre fumo passivo ( CLIQUE AQUI PARA VER ) que achei muito interessante pois ele mostra uma simulação caso a fumaça do cigarro fosse escura e se mostrasse claramente no ambiente, é impactante!

Acho que algumas pessoas ficariam menos tentadas a fumar se os efeitos fossem tão visivelmente perceptíveis, tanto no ambiente quanto no próprio corpo. Não sou muito a favor da linha que induz a parar de fumar através do medo e de imagens chocantes, acredito mais no poder da decisão pessoal, no desejo de uma vida mais saudável e no uso de recursos disponíveis em saúde (apoio profissional, etc), mas também não dá p/ tapar o sol com a peneira e às vezes é bom lembrar que de fato o estrago do cigarro é grande.

E aí lembrei também de um paciente que atendi há muito tempo, mas do qual sempre me recordo, que disse: “a gente se ilude com o cigarro, não o vê como ele realmente é. Um truque que estou usando para me ajudar a ficar longe dele é vê-lo como um veneno mesmo: se você chegar em casa morto de sede e só tiver uma garrafa com um líquido escrito – VENENO – você vai tomar? Não, mesmo se estiver com muita sede, porque de veneno a gente quer distância.”

A propósito, PARABÉNS, Sonia, estar 12 dias sem fumar é uma vitória!

Métodos sem eficácia comprovada para o tratamento do tabagismo

Monica | Vamos Parar | Segunda, 15 de Outubro de 2007

Por Cristiane Sales, integrante da ACTbr e Especialista em Dependência Química pela UNIFESP

Vários métodos diferentes vêm sendo utilizados para a cessação do tabagismo tais como: hipnose, acupuntura, cigarros artificiais sem drogas, aromaterapia, fórmulas de ervas, gargarejos, piteiras etc.

Até o momento atual, não existem evidências científicas para comprovar a eficácia dessas iniciativas. É necessário que as pesquisas utilizem métodos dentro do rigor científico, para que seja avaliada a eficácia, a viabilidade e a relação custo/benefício, para que só então eles sejam recomendados como eficazes para o tratamento do tabagismo. Portanto, nenhum dos métodos mencionados acima foi recomendado pela comunidade científica ainda.

A associação entre psicoterapia e de farmacoterapia tem se mostrado a intervenção mais efetiva, alcançando os melhores resultados. Materiais didáticos de auto-ajuda, aconselhamento por telefone por um profissional treinado e estratégias motivacionais, ajudam a melhorar a efetividade do tratamento. A utilização de tratamentos como acupuntura e hipnose têm sido estudadas, mas os resultados têm se mostrado pouco efetivos.

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